Desabafo: Nunca dependa da Saúde Pública de São Gotardo

Foto Capa: Reprodução/Google Imagens
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Nesta quarta-feira (24/04) em São Gotardo, quem escreve para os Leitores do Portal SG AGORA, não é o editor-chefe de nosso Site, Diego Oliveira, e sim, um pai que vivenciou o desespero e apreensão de necessitar de atendimento médico através do sistema de saúde público de nossa cidade. Antes, gostaria de esclarecer que o intuito desta reportagem não é denegrir ou falar mal das pessoas que trabalham na saúde pública de São Gotardo. Trata-se do desabafo de um pai como tantos outros, que passam por várias situações desesperadoras no Pronto Socorro Municipal São-Gotardense, em busca de atendimento médico para si mesmo ou para seus filhos.

No dia 20 de Abril (sábado), minha filha amanheceu vomitando e sentindo fortes dores no abdômen no lado direito. Preocupado com tal situação, decidi levá-la no Pronto Socorro Municipal de São Gotardo. Chegamos no local por volta das 13:10 da tarde e foi aí que o primeiro episódio aconteceu. Minha filha estava fraca e sentindo bastante dores na barriga, mais aparentemente não apresentava um quadro clínico mais grave. No momento de nossa chegada, haviam dois médicos realizando os atendimentos e poucos pacientes aguardando para serem chamados.  Por minha filhar ser uma criança de apenas quatro anos de idade, achamos que o atendimento seria rápido e ela teria prioridade  no mesmo, uma vez que não haviam nenhum caso clínico grave ocorrendo no Hospital.

Após cerca de mais uma hora e cinquenta minutos aguardando, com muita calma e sempre com educação para não perder minha razão, consultei em meu celular o Estatuto da Criança e do Adolescente e constatei que crianças sempre tem prioridade em atendimento médicos, devido a serem frágeis e correrem mais riscos de pegarem infecções hospitalares. Com o argumento em mãos, perguntei a recepcionista sobre o atendimento, a qual respondeu que minha filha já iria ser chamada. Aguardamos então mais cerca de vinte minutos e fomos enfim chamados para fazer o processo de triagem.

Ao entrarmos, tudo ocorreu de forma até rápida, fomos direto para o consultório médico depois da triagem, fomos bem atendidos pela médica e enfermeiras e tudo corria bem até que o soro que minha filha estava tomando a pedido da médica, acabou. Fechamos o circuito do equipamento e fomos avisar que o processo já havia terminado para as enfermeiras, que disseram que a médica já iria ver minha filha para realizar o procedimento de alta-médica. Porem, tal processo demorou mais cerca de quarenta e cinco minutos, com minha filha em meu colo em uma cadeira do Hospital. Aguardamos novamente com muita calma e paciência, pois meu bem maior era a saúde de minha filha e fomos liberados por uma enfermeira.

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Entendo que trabalhar em um Pronto Socorro gratuito é exaustante tanto para o corpo, quanto para a mente dos profissionais que ali trabalham, porem, em algumas situações, acho que falta para alguns um pouco de sensibilidade e humanidade ao próximo. Enquanto aguardávamos a liberação médica, vários médicos e enfermeiros passaram por nós, inclusive a médica que atendeu minha filha e entendo que devida as circunstâncias, qualquer um poderia realizar o procedimento em minha criança que não havia comido nada ao longo do dia. Além disso, teríamos que retornar ao Hospital as 16:00 horas para a realização de exames pedidos pela médica que nos atendeu e tal horário já estava se aproximando.

Chegamos em casa novamente e graças a Deus (tenho minha fé), o soro tomado por minha filha no Hospital trouxe uma melhora instantânea em minha “baixinha” que não mais passou mal. “Incucado” com a dor que ela havia sentindo mais cedo do lado direito do abdômen (tínhamos medo de ser apendicite) e que ainda reclamava as vezes, retornamos com ela as 16:00 horas em ponto para realizar os exames. Ao chegarmos o procedimento de colheita de sangue foi rápida e fomos informados que poderíamos aguardar novamente na recepção do Pronto Socorro que seríamos chamados “bem rapidinho”, para a médica avaliar novamente minha filha com os resultados dos exames.

Retornamos para a recepção e sentamos para aguardar minha filhar ser chamada novamente. Devido a fragilidade de suas veias sanguíneas, após tomar o soro receitado pela médica, foi sugerido pelo hospital que minha filha ficasse conectada com o aparelho que liga sua veia ao soro, para que, caso alguma anormalidade desse errado em seu exame e ela precisasse novamente realizar tal procedimento, não fosse necessário a inclusão de um novo aparelho em suas veias sanguíneas. Consenti com a decisão, mas enquanto aguardávamos o resultado dos exames comecei a ficar apreensivo. Pensei comigo “minha filha está aqui, vulnerável com este aparelho, ligado em seu corpo em um hospital”.

Após mais de uma hora meia aguardando os exames, fomos informados que ainda demoraria um pouco para retornarem com o resultado de todos os exames feitos nos pacientes. Exausto com o desencontro de informações, pedi então para que a enfermeira retirasse a válvula que estava conectada na veia da minha filha e disse que retornaria novamente mais tarde para pegar os exames e realizar o retorno médico, para que pudéssemos ficar enfim tranquilos sobre a saúde de minha pequena.

Ao retornarmos por volta das 18:50 ao Pronto Socorro, dezenas de pessoas aguardavam por atendimento, em uma quantidade muito superior as anteriores que havíamos retornado ao hospital. Já um pouco exaustos com todos os acontecidos, minha mãe e eu perguntamos mais uma vez se demoraria para minha filha ser atendida, ou se eles ao menos poderiam contar o diagnóstico do resultado do exame apenas para ficarmos tranquilos e retornar no outro dia, que o hospital estivesse mais tranquilo. A resposta a nós porem foi enfática: “aguardem na recepção que sua filha será chamada”.

Mais uma vez gostaria de reforçar que entendo que muitos profissionais que trabalham no Pronto Socorro de nossa cidade, são muita das vezes, mau remunerados de acordo com a pressão psicológica que é imposta neste tipo de ambiente de trabalho diariamente e trabalham sobrecarregados durante todo o tempo, porem, as vezes, se não fossem os “milhões de procedimentos e regras” que são impostas aos pacientes e também aos funcionários, o atendimento poderia ser bem melhor para ambas as partes e muito dos estresses e questionamentos comuns vividos entre funcionários, pacientes ou familiares poderiam ser evitados.

Para que esperar tanto para dar alta para um paciente se o procedimento nem será feito pelo médico? Porque não aumentar o número de funcionários para não sobrecarregar tanto alguns, a ponto dos mesmos descontarem suas raivas ou frustrações nos pacientes?  Porque o paciente precisa chegar entre a vida e a morte para ser detectado que ele realmente precisa de atendimento prioritário? Ou ainda, porque um médico não fica por conta dos casos urgentes e o outro disponível para realizar os atendimentos a população de uma maneira mais rápida e com mais organização? A resposta a população certamente será: “não temos verba para isso”.

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Como somos brasileiros e não desistimos nunca, enquanto esperávamos pelos exames na recepção, o último episódio da noite aconteceu no Pronto Socorro. Dezenas de pessoas aguardavam por atendimento, cada uma com seu problema ou dor, quando uma enfermeira comunicou publicamente à todos que o atendimento médico iria demorar  e muito para quem estava na recepção aguardando. Segundo o que foi dito pela mulher, dois pacientes estavam com casos clínicos urgentes e necessitando de cuidados médicos e apenas um médico continuaria no plantão no período noturno. Por isso, quem estivesse com dores que fossem suportadas, leves torções no corpo ou outros quadros clínicos “mais simples”, deveriam retornar a suas residências e voltar no dia seguinte ao hospital. Para os que decidissem ficar, o atendimento não seria negado a ninguém, porem iria demorar bastante, segundo a enfermeira.

Com o comunicado, as pessoas que aguardavam atendimento ficaram revoltadas e muitas se recusaram a ir embora. Sabemos ou pensamos pelo menos, que a mulher estava apenas cumprindo “ordens”, mas, assim como os outros pacientes ou familiares de pacientes, eu e minha mãe ficamos revoltado como a forma que as pessoas foram e são tratadas dentro do Pronto Socorro de nossa cidade. Como Jornalista, sempre recebi denúncias sobre o hospital municipal de São Gotardo e confesso que em determinadas situações, cheguei a achar até um pouco exageradas as críticas a respeito do hospital, pois da mesma maneira que alguns criticam, como estou fazendo agora, sei que em determinadas situações os pacientes são bem atendidos no hospital público São-Gotardense. Ao viver na pele porem, fica aqui minha crítica, não contra as profissionais que ali trabalham e que na maioria das vezes apenas “cumprem o protocolo”, mas sim, para as pessoas que gerem o Pronto Socorro. Tenho certeza que paciente nenhum deseja ficar em um hospital praticante durante todo o dia para receber atendimento e se as coisas fossem mais organizadas e práticas, todos sairiam mais felizes ao final do dia.

Por sorte minha filha está bem e a suspeita de apendicite não foi confirmada, através de exames que fizemos nesta segunda-feira (22) em uma clínica particular, uma vez que os exames que fizemos no Pronto Socorro Municipal de nossa cidade, a princípio haviam sumido, depois disseram que não tínhamos feito e teríamos que fazer de novo e por último, que deveríamos pegar durante a semana com a responsável por cuidar dos exames realizados pelo hospital. Fato verdadeiro é que, até esta quarta-feira (24/04), ainda não havíamos conseguido ter acesso aos exames feitos no sábado (20/04). Mesmo com dificuldades financeiras, irei em breve fazer um plano de saúde para minha família, porem fico pensando nas pessoas que não tem condições de pagar tais planos que também são abusivos em nosso País, terão que continuar se humilhando por atendimento médico gratuito?

Creio que algumas coisas precisam ser repensadas urgentemente pelas pessoas de São Gotardo responsáveis por zelar e cuidar da Saúde Pública de nossa cidade!!

 

Escrito por: Diego Oliveira/Editor-Chefe/Portal SG AGORA / Fonte da Reportagem: Diego Oliveira/Portal SG AGORA / Foto Capa: Reprodução/Google Imagens

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2 Comentários “Desabafo: Nunca dependa da Saúde Pública de São Gotardo”

  1. Seja forte rapaz… Ta com medo de dizer o quer dizer… Texto cheio de medinhooo defenda seus interesses e o da cidade… Em off essa turma quer que você se f…da entendeu?

  2. Ana Maria disse:

    Pior é depender da saúde pública do Estado. Estou com uma tia no Hospital São Lucas em Patos de Minas a mais de 15 dias com um coágulo no cérebro por causa de um A.V.C. A justiça já concedeu liminar para que seja feita a cirurgia mas mesmo assim ela continua lá sem que nada seja feito.A sensação é de que somos lixo.Pagamos nossos impostos pra quê? Pra ir pro bolso dos políticos? Precisar da saúde pública do Estado me parece até pior.

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