{"id":22078,"date":"2015-12-02T15:54:12","date_gmt":"2015-12-02T15:54:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/?p=22078"},"modified":"2015-12-03T12:19:53","modified_gmt":"2015-12-03T12:19:53","slug":"segundo-especialistas-cura-da-aids-ja-foi-descoberta-e-ciencia-ja-sabe-como-dar-o-golpe-final-no-virus-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/segundo-especialistas-cura-da-aids-ja-foi-descoberta-e-ciencia-ja-sabe-como-dar-o-golpe-final-no-virus-hiv\/","title":{"rendered":"Segundo especialistas, cura da Aids j\u00e1 foi descoberta e ci\u00eancia j\u00e1 sabe como dar o golpe final no v\u00edrus HIV"},"content":{"rendered":"<p>Ele \u00e9 rudimentar. \u00c9 uma bolinha min\u00fascula, de 130 nan\u00f4metros, com apenas nove genes dentro. O v\u00edrus HIV n\u00e3o se compara, nem de longe, \u00e0 sofistica\u00e7\u00e3o de uma c\u00e9lula humana (que tem 20 mil genes) ou mesmo uma bact\u00e9ria (500 genes). Mas ele mudou a hist\u00f3ria da humanidade: espalhou p\u00e2nico, transformou h\u00e1bitos, arrasou pa\u00edses africanos, matou 30 milh\u00f5es de pessoas. O homem respondeu criando os antirretrovirais, rem\u00e9dios que cont\u00eam a multiplica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e evitam que o soropositivo morra de Aids. Hoje, 8 milh\u00f5es de pessoas t\u00eam as vidas preservadas por esses medicamentos. Eles n\u00e3o s\u00e3o uma cura, pois n\u00e3o eliminam o v\u00edrus &#8211; que continua escondido no organismo.<\/p>\n<p>Mas essa hist\u00f3ria est\u00e1 prestes a dar uma virada dram\u00e1tica. A ci\u00eancia finalmente descobriu como dar o \u00faltimo passo: arrancar o HIV dos lugares onde ele se esconde no corpo humano. No \u00faltimo ano, v\u00e1rios grupos de pesquisadores comprovaram que \u00e9 poss\u00edvel expulsar o HIV de seus esconderijos e jog\u00e1-lo de volta na corrente sangu\u00ednea &#8211; de onde ele poderia ser eliminado, livrando completamente o organismo do v\u00edrus. Ou seja, cura. Os pesquisadores mant\u00eam cautela, mas a possibilidade tem gerado euforia em setores da comunidade cient\u00edfica. Parece que, depois de passar as \u00faltimas d\u00e9cadas tomando dribles do v\u00edrus, a humanidade finalmente pode ter descoberto uma forma de encurral\u00e1-lo. &#8220;H\u00e1 dois anos, se algu\u00e9m falasse em cura, seria considerado maluco. Isso era considerado imposs\u00edvel&#8221;, diz John Frater, imunologista da Universidade de Oxford e um dos l\u00edderes do Cherub (Collaborative HIV Eradication of Viral Reservoirs), projeto que re\u00fane cinco universidades inglesas num estudo contra o v\u00edrus. &#8220;Estou genuinamente entusiasmado&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica de expuls\u00e3o do HIV \u00e9 a inova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mais importante, e instigante, das \u00faltimas d\u00e9cadas. Mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica novidade na luta contra o v\u00edrus. H\u00e1 pessoas que, por meio de outros procedimentos m\u00e9dicos, foram curadas da Aids. Em alguns casos, elas desenvolveram resist\u00eancia ao HIV; em outros, o v\u00edrus desapareceu do organismo. Voc\u00ea vai conhecer essas hist\u00f3rias a seguir.<\/p>\n<p><strong>ONDE O V\u00cdRUS SE ESCONDE<\/strong><\/p>\n<p>Como o HIV \u00e9 muito pequeno, penetra facilmente nas mucosas genitais durante o sexo, e delas vai para a corrente sangu\u00ednea, onde encontra sua v\u00edtima: as c\u00e9lulas T, pe\u00e7as centrais do sistema imunol\u00f3gico. O v\u00edrus penetra nessas c\u00e9lulas e as escraviza, transformando-as em m\u00e1quinas de produzir HIV. \u00c9 um processo diabolicamente eficiente, que gera 100 bilh\u00f5es de novas c\u00f3pias do v\u00edrus por dia. No come\u00e7o, a pessoa n\u00e3o sente nada, no m\u00e1ximo febre e um mal-estar discreto. Mas as c\u00e9lulas T v\u00e3o morrendo at\u00e9 que, ap\u00f3s alguns anos, o sistema imunol\u00f3gico fica comprometido &#8211; e a Aids se instala.<\/p>\n<p>Existem dois tipos de c\u00e9lulas T: as ativas e as inativas. \u00c9 como no ex\u00e9rcito. Alguns soldados est\u00e3o de prontid\u00e3o nos quart\u00e9is e outros vivem na reserva, podendo ser convocados em caso de emerg\u00eancia. O HIV infecta tanto as c\u00e9lulas ativas quanto as inativas. O problema \u00e9 que os medicamentos antirretrovirais s\u00f3 agem nas c\u00e9lulas ativas. Nas c\u00e9lulas inativas, que vivem numa esp\u00e9cie de hiberna\u00e7\u00e3o, o rem\u00e9dio n\u00e3o faz efeito. Isso porque essas c\u00e9lulas n\u00e3o cont\u00eam um mont\u00e3o de HIV dentro. Na verdade, \u00e9 algo mais assustador ainda.<\/p>\n<p>Elas t\u00eam o v\u00edrus HIV copiado dentro do pr\u00f3prio c\u00f3digo gen\u00e9tico. Isso significa que, conforme v\u00e3o sendo ativadas pelo organismo (um processo natural, que acontece ao longo da vida de todo mundo), come\u00e7am a se reproduzir &#8211; e fabricar enormes quantidades do v\u00edrus. \u00c9 por isso que os medicamentos antirretrovirais n\u00e3o curam a Aids. As c\u00e9lulas T inativas funcionam como um enorme reservat\u00f3rio de v\u00edrus. Ele at\u00e9 vai sendo esvaziado aos poucos, na medida em que as c\u00e9lulas inativas v\u00e3o sendo repostas pelo organismo e o v\u00edrus vai sendo eliminado pelos medicamentos, mas isso leva uma eternidade: segundo estimativas, pelo menos 60 anos. Ou seja, o portador de HIV tem mesmo de passar a vida toda tomando antirretrovirais (que provocam efeitos colaterais como hipertens\u00e3o, diabetes e danos aos rins, f\u00edgado e ossos).<\/p>\n<p>A menos que exista uma forma de esvaziar \u00e0 for\u00e7a os reservat\u00f3rios de HIV.<\/p>\n<p>Essa possibilidade come\u00e7ou a se desenhar em outubro de 2006, quando o governo americano autorizou a venda de um novo medicamento, chamado vorinostat. Esse rem\u00e9dio foi criado para tratar o linfoma cut\u00e2neo de c\u00e9lulas T, um c\u00e2ncer no sistema imunol\u00f3gico. Esse c\u00e2ncer se manifesta na forma de les\u00f5es na pele, mas se origina no sangue. Ele \u00e9 tratado com quimioterapia. Mas a quimioterapia s\u00f3 funciona bem com tumores que se multiplicam bastante (porque ela age na reprodu\u00e7\u00e3o celular). E o linfoma cut\u00e2neo n\u00e3o \u00e9 assim. Por algum motivo, ele faz o corpo aumentar a produ\u00e7\u00e3o de histona deacetilase (HDAC), um tipo de enzima que faz as c\u00e9lulas pararem de se reproduzir. E isso reduz o efeito da quimioterapia. O vorinostat bloqueia a a\u00e7\u00e3o dessa enzima, colocando o c\u00e2ncer de novo em estado de multiplica\u00e7\u00e3o &#8211; e vulner\u00e1vel \u00e0 quimiotepia. Ati\u00e7ar o c\u00e2ncer \u00e9 uma estrat\u00e9gia arriscada. Por isso, o vorinostat s\u00f3 \u00e9 usado em casos graves, nos quais d\u00e1 resultado (70% dos pacientes respondem a ele).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/aids.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22080\" src=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/aids.jpg\" alt=\"aids\" width=\"550\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/aids.jpg 550w, https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/aids-300x164.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>A infec\u00e7\u00e3o &#8211; e o caminho da cura<\/strong><\/p>\n<p>O segredo est\u00e1 em acordar c\u00e9lulas dormentes, onde o HIV fica escondido:<\/p>\n<p>1. Contamina\u00e7\u00e3o<br \/>\nO HIV entra no organismo. Ele se instala nas c\u00e9lulas T, que s\u00e3o respons\u00e1veis por coordenar a a\u00e7\u00e3o do sistema imunol\u00f3gico. H\u00e1 dois tipos de c\u00e9lula T: ativa e inativa. O v\u00edrus invade ambos os tipos.<\/p>\n<p>2. Invas\u00e3o do DNA<br \/>\nO HIV entra na c\u00e9lula e se infiltra no n\u00facleo dela, onde est\u00e1 o DNA. As c\u00e9lulas ativas se multiplicam &#8211; e, com isso, multiplicam o HIV.<\/p>\n<p>As c\u00e9lulas inativas n\u00e3o se multiplicam. Gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o de uma enzima, elas ficam dormentes (e o v\u00edrus tamb\u00e9m).<\/p>\n<p>3. O tratamento tradicional<br \/>\nOs medicamentos antiretrovirais, usados hoje, conseguem bloquear a progress\u00e3o do HIV &#8211; e controlar a Aids. Mas n\u00e3o agem nas c\u00e9lulas inativas, onde o v\u00edrus fica escondido. Se a pessoa parar de tomar os antirretrovirais, o HIV &#8220;escondido&#8221; acorda. E a Aids volta.<\/p>\n<p>4. A nova t\u00e1tica<br \/>\nUm novo tipo de medicamento \u00e9 capaz de fazer as c\u00e9lulas inativas acordarem: e botarem para fora o HIV que trazem escondido. O v\u00edrus \u00e9 jogado na corrente sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>5. A elimina\u00e7\u00e3o<br \/>\nOs antirretrovirais agem sobre o HIV, permitindo que ele seja eliminado.Os reservat\u00f3rios v\u00e3o sendo esvaziados, at\u00e9 n\u00e3o restar mais v\u00edrus.<\/p>\n<p>Mais tarde, alguns pesquisadores descobriram que o vorinostat tamb\u00e9m tinha outro efeito: ele desperta as c\u00e9lulas T adormecidas. E isso \u00e9 valios\u00edssimo no combate ao HIV. Porque quando essas c\u00e9lulas acordam, elas come\u00e7am a se reproduzir e jogar v\u00edrus no sangue &#8211; onde ele fica vulner\u00e1vel \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos rem\u00e9dios antirretrovirais. O HIV \u00e9 eliminado, as c\u00e9lulas T morrem e, se esse processo for repetido por tempo suficiente, \u00e9 poss\u00edvel eliminar todas as c\u00e9lulas infectadas &#8211; e sacar o HIV do organismo.<\/p>\n<p>David Margolis, da Universidade da Carolina do Norte (EUA), foi o primeiro cientista a testar esse procedimento. &#8220;Tive a ideia de acordar o HIV e empurr\u00e1-lo para fora do corpo, permitindo a erradica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus&#8221;, diz. Depois de obter resultados positivos em testes de laborat\u00f3rio, ele ficou tr\u00eas anos pedindo permiss\u00e3o \u00e0s autoridades de sa\u00fade americanas para fazer um estudo em humanos. O vorinostat tem efeitos colaterais, como fadiga, diarreia, hiperglicemia e anemia. Em casos raros, pode levar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de co\u00e1gulos no sangue, o que \u00e9 perigoso. Mas o grande receio era quanto ao v\u00edrus da Aids. Afinal, acordar c\u00e9lulas dormentes e estimul\u00e1-las a produzir HIV envolve risco. E se o v\u00edrus surgisse com alguma muta\u00e7\u00e3o, e os medicamentos antirretrovirais n\u00e3o fizessem efeito contra ele? Os pacientes seriam inundados pelo HIV, e morreriam.<\/p>\n<p>Mesmo assim, Margolis obteve autoriza\u00e7\u00e3o para fazer o teste em oito portadores de HIV, que receberam vorinostat. Os resultados foram publicados em 2012 &#8211; e reanimaram o interesse da comunidade cient\u00edfica. Uma \u00fanica dose de vorinostat aumentou em mais de quatro vezes a quantidade de v\u00edrus no sangue dos pacientes. Ou seja, a tese se comprovou. Funcionou. O rem\u00e9dio conseguiu o que era considerado imposs\u00edvel: expulsar o HIV de seus reservat\u00f3rios (e fez isso sem provocar efeitos colaterais relevantes). Mas foi um estudo de breve dura\u00e7\u00e3o. Agora, Margolis est\u00e1 realizando uma nova experi\u00eancia, na qual os pacientes recebem mais doses de vorinostat, durante mais tempo.<\/p>\n<p>Pelo menos um estudo, feito pela Universidade de Aarhus (Dinamarca) em parceria com a Universidade do Colorado (EUA), comprovou o mesmo efeito em c\u00e9lulas humanas testadas em laborat\u00f3rio. &#8220;Ainda temos um longo caminho, mas acredito que a cura para o HIV seja alcan\u00e7\u00e1vel&#8221;, diz Ole S\u00f8gaard, l\u00edder do estudo dinamarqu\u00eas. S\u00f8gaard est\u00e1 finalizando um novo estudo, desta vez dando o rem\u00e9dio diretamente a pacientes, e publicar\u00e1 os resultados nos pr\u00f3ximos meses. Pesquisadores da Universidade de Monash, na Austr\u00e1lia, tamb\u00e9m est\u00e3o testando o vorinostat e devem publicar resultados em breve. A equipe pioneira, de David Margolis, continua aperfei\u00e7oando a t\u00e9cnica &#8211; em estudos que envolveram cientistas da Universidade da Calif\u00f3rnia e uma pesquisadora da multinacional farmac\u00eautica Merck.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 d\u00favidas sobre o procedimento. Qual a dose ideal do medicamento? Por quanto tempo? Ele \u00e9 o rem\u00e9dio ideal, ou surgir\u00e3o outros? &#8220;\u00c9 como o AZT, que foi a primeira droga da sua classe (antirretroviral). Talvez a gente encontre drogas melhores, ou resultados melhores combinando essa droga com outras&#8221;, diz Margolis.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 um dilema \u00e9tico envolvido. Como convencer um paciente que toma antirretrovirais, e por isso est\u00e1 com o HIV sob controle, a participar de um estudo que envolve risco de acordar uma doen\u00e7a letal? &#8220;Os m\u00e9todos que temos hoje s\u00e3o eficazes, relativamente seguros, bem tolerados e n\u00e3o t\u00e3o caros&#8221;, afirma Daniel Kuritzkes, chefe do AIDS Clinical Trials Group (ACTG), um dos maiores grupos de pesquisa na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, um paciente curado pode ser facilmente reinfectado &#8211; basta fazer sexo sem prote\u00e7\u00e3o com algu\u00e9m que tenha HIV. O ideal mesmo seria criar uma vacina contra o v\u00edrus. Infelizmente, o v\u00edrus conseguiu burlar todos os esfor\u00e7os nesse sentido. H\u00e1 v\u00e1rias raz\u00f5es que dificultam o desenvolvimento de uma vacina. A primeira \u00e9 a intensa variabilidade do v\u00edrus. Embora o HIV seja dividido em somente dois tipos, 1 e 2 (que t\u00eam origem em primatas diferentes), ele sofre constantes muta\u00e7\u00f5es dentro de cada tipo. Estima-se que a capacidade de muta\u00e7\u00e3o do HIV seja mil vezes maior que a do genoma humano. Isso torna o HIV imprevis\u00edvel e complica bastante as coisas. Como preparar o corpo para se defender se ningu\u00e9m sabe exatamente como o v\u00edrus pode se comportar? Mesmo assim, os esfor\u00e7os seguem: em maio, um novo teste de vacina foi anunciado por pesquisadores do Imperial College, de Londres, que far\u00e3o um estudo em Ruanda e Nig\u00e9ria e divulgar\u00e3o os resultados em 2015.<\/p>\n<p>Mas, mesmo sem uma vacina, e com a t\u00e9cnica de desinfec\u00e7\u00e3o ainda em testes iniciais, j\u00e1 existem pessoas que chegaram l\u00e1 &#8211; foram curadas do HIV.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/066924_crop.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22081\" src=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/066924_crop.jpg\" alt=\"066924_crop\" width=\"588\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/066924_crop.jpg 588w, https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/066924_crop-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 588px) 100vw, 588px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>A longa hist\u00f3ria da Aids na Terra<\/strong><\/p>\n<p>1959<br \/>\nSurgem os primeiros registros de homens morrendo devido a infec\u00e7\u00f5es de origem inexplic\u00e1vel. Um deles, que morreu no Congo, teve tecidos do seu corpo preservados e analisados nos anos 90. Eles continham HIV.<\/p>\n<p>1981<br \/>\nO governo dos EUA publica um relat\u00f3rio descrevendo os casos de cinco homens homossexuais de Los Angeles, que tinham uma s\u00e9rie de infec\u00e7\u00f5es raras. \u00c9 o primeiro registro oficial da doen\u00e7a. Duas das v\u00edtimas morreram antes mesmo da publica\u00e7\u00e3o do artigo.<\/p>\n<p>1983<br \/>\nEm abril, o Center for Disease Control (CDC), dos EUA, estima que dezenas de milhares de pessoas estejam infectadas pela doen\u00e7a. Ela ganha o nome de Aids (s\u00edndrome de imunodefici\u00eancia adquirida, em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>1984<br \/>\nO pesquisador Robert Gallo, do Instituto Nacional do C\u00e2ncer dos EUA, afirma que a Aids \u00e9 causada por um v\u00edrus.<\/p>\n<p>1985<br \/>\nO ator americano Rock Hudson morre de Aids. \u00c9 a primeira grande celebridade a ser vitimada pela doen\u00e7a, que j\u00e1 tem casos em todo o planeta.<\/p>\n<p>1986<br \/>\nO Comit\u00ea Internacional de Taxonomia de V\u00edrus batiza o causador da Aids de Human Immunodeficiency Virus (HIV), ou v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana.<\/p>\n<p>1987<br \/>\nO governo americano aprova o uso da zidovudina (AZT), primeiro medicamento a combater o HIV.<\/p>\n<p>1989<br \/>\nMagro e abatido, o cantor Cazuza anuncia publicamente que est\u00e1 com Aids. Morreria em 1990 depois de uma agonia que exp\u00f4s a fragilidade das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>1991<br \/>\nO la\u00e7o vermelho se torna o s\u00edmbolo da luta contra a Aids. Magic Johnson, estrela do basquete dos EUA, anuncia que \u00e9 soropositivo. O cantor Freddie Mercury, do Queen, morre v\u00edtima da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>1993<br \/>\nO filme Filad\u00e9lfia, em que Tom Hanks interpreta um advogado com HIV, chega aos cinemas. O bailarino Rudolf Nureyev e o tenista Arthur Ashe morrem de Aids.<\/p>\n<p>1994<br \/>\nA epidemia atinge 1 milh\u00e3o de casos no mundo.<\/p>\n<p>1995<br \/>\nSurge a terapia antirretroviral altamente ativa (highly active antiretroviral therapy &#8211; HAART), um coquetel de drogas que impede a progress\u00e3o do HIV.<\/p>\n<p>1997<br \/>\nO n\u00famero de pessoas infectadas chega a 30 milh\u00f5es no mundo.<\/p>\n<p>2000<br \/>\nA busca por uma vacina se torna prioridade global na pesquisa contra o HIV.<\/p>\n<p>2003<br \/>\nCientistas comprovam que o HIV veio dos chimpanz\u00e9s. O laborat\u00f3rio VaxGen, um dos que desenvolve vacinas, anuncia que os testes em humanos falharam.<\/p>\n<p>2007<br \/>\nM\u00e9dicos anunciam que um paciente est\u00e1 livre do HIV. Timothy Brown, conhecido como Paciente de Berlim, n\u00e3o registra a presen\u00e7a do v\u00edrus no corpo desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>2009 a 2013<br \/>\nS\u00e3o publicados os primeiros estudos sobre elimina\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios do HIV, apontando um caminho para a cura. A busca por vacinas continua.<\/p>\n<p><strong>OS PRIMEIROS CURADOS<\/strong><\/p>\n<p>Em 1995, o americano Timothy Ray Brown descobriu que era soropositivo. Logo come\u00e7ou a tomar os medicamentos antirretrovirais e estava indo bem, at\u00e9 que em 2007, quando estava morando na Alemanha, ele come\u00e7ou a se sentir muito fraco. E descobriu que estava com leucemia, um c\u00e2ncer que ataca as c\u00e9lulas T (pois \u00e9, justo elas). Seu m\u00e9dico, o oncologista Gero H\u00fctter, se lembrou do seguinte: no norte da Europa, uma em cada cem pessoas \u00e9 imune ao v\u00edrus da Aids. Devido a uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, elas n\u00e3o produzem uma prote\u00edna chamada CCR5. E sem essa prote\u00edna, o v\u00edrus da Aids n\u00e3o consegue entrar nas c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>Como Timothy estava com leucemia, teria de receber um transplante de medula \u00f3ssea. Nesse tipo de transplante, o sistema imunol\u00f3gico do paciente \u00e9 morto (por meio de quimioterapia) e substitu\u00eddo pelas c\u00e9lulas do doador. O m\u00e9dico teve a ideia de usar, como doadora, uma pessoa que fosse imune ao v\u00edrus da Aids. Dessa forma, quem sabe, poderia acertar dois alvos com um s\u00f3 tiro: curar Timothy da leucemia e do HIV.<\/p>\n<p>O primeiro transplante n\u00e3o teve o efeito esperado, e a leucemia voltou. Timothy aceitou se submeter a um segundo. Funcionou. Ele ficou um ano no hospital, teve v\u00e1rias complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, mas se tornou o primeiro humano na hist\u00f3ria a ser curado do HIV. Parou de tomar os antirretrovirais, e o v\u00edrus nunca voltou. Timothy ficou conhecido como o &#8220;Paciente de Berlim&#8221;. Em julho deste ano, dois casos semelhantes ao dele foram apresentados na confer\u00eancia da International Aids Society. Mas, nesses casos, os transplantes foram feitos h\u00e1 pouco tempo e ainda \u00e9 cedo para dizer que o HIV n\u00e3o retornou.<\/p>\n<p>Seja como for, transplante de medula \u00e9 uma t\u00e9cnica complexa, que depende de fatores muito espec\u00edficos &#8211; o procedimento de Timothy tinha apenas 5% de chance de sucesso. &#8220;Esse paciente ganhou na loteria&#8221;, afirma Caio Rosenthal, infectologista do hospital Em\u00edlio Ribas, de S\u00e3o Paulo. Al\u00e9m de pouco eficaz, o procedimento \u00e9 muito arriscado. &#8220;A pessoa que vai receber o transplante de medula fica completamente sem defesas [imunol\u00f3gicas] durante um per\u00edodo&#8221;, explica Dirceu Greco, diretor do departamento de DST e Aids do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das pessoas que n\u00e3o produzem a prote\u00edna CCR5, h\u00e1 outro tipo de gente resistente ao HIV: os chamados controladores de elite. Eles s\u00e3o infectados pelo v\u00edrus, mas n\u00e3o desenvolvem Aids. &#8220;De todas as pessoas infectadas, 5% s\u00e3o chamados progressores lentos. Eles t\u00eam carga viral baixa e s\u00f3 v\u00e3o ficar doentes muitos anos depois. E, dentro desses 5%, h\u00e1 tamb\u00e9m uma porcentagem de controladores de elite, que apresentam carga viral h\u00e1 mais de dez anos e conseguem viver sem rem\u00e9dios&#8221;, explica Breno Riegel, infectologista do Hospital Concei\u00e7\u00e3o, de Porto Alegre, e colaborador de estudos internacionais &#8211; incluindo uma pesquisa com antirretrovirais que foi considerada a mais importante do mundo em 2011 pelo jornal cient\u00edfico Science.<\/p>\n<p>Para ser um controlador de elite, ou uma pessoa imune ao HIV, \u00e9 preciso nascer com determinadas muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas. Mas tamb\u00e9m existe gente que se torna controladora de elite. Em mar\u00e7o deste ano, pesquisadores do Instituto Pasteur, de Paris, apresentaram um estudo demonstrando a cura funcional de 14 pacientes franceses portadores do HIV. A palavra funcional significa que eles ainda carregam o v\u00edrus, mas n\u00e3o desenvolvem a Aids &#8211; mesmo tendo parado de tomar medicamentos antirretrovirais. Esses pacientes s\u00e3o identificados pela sigla Visconti, que vem de Viro-immunological Sustained Control After Treatment Interruption (Controle Viro-imunol\u00f3gico Sustentado Ap\u00f3s a Interrup\u00e7\u00e3o do Tratamento). O l\u00edder do estudo, Asier S\u00e1ez-Ciri\u00f3n, destaca uma caracter\u00edstica importante desses pacientes. Quando se descobriram infectados pelo HIV, na d\u00e9cada passada, eles logo passaram a tomar o coquetel antirretroviral. Come\u00e7aram a tomar os rem\u00e9dios no m\u00e1ximo 70 dias depois da contamina\u00e7\u00e3o. E essa rapidez ajudou muito. &#8220;Tratando desde cedo, voc\u00ea limita a entrada de v\u00edrus nos reservat\u00f3rios (as c\u00e9lulas T inativas)&#8221;, diz S\u00e1ez-Ciri\u00f3n. E isso teoricamente permite que, depois de alguns anos tomando o rem\u00e9dio, seja poss\u00edvel parar com ele &#8211; e mesmo assim n\u00e3o desenvolver Aids. Na pr\u00e1tica, as coisas costumam ser diferentes. &#8220;Quando a pessoa chega ao m\u00e9dico, na maioria das vezes ela j\u00e1 est\u00e1 soropositiva h\u00e1 anos, e da\u00ed o tratamento j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o eficiente&#8221;, explica Rosenthal. Um paciente que carrega o v\u00edrus h\u00e1 dez anos, por exemplo, j\u00e1 est\u00e1 com danos graves ao sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Os pacientes do grupo Visconti tomaram os rem\u00e9dios durante tr\u00eas anos at\u00e9 que interromperam o tratamento. Eles conseguiram se manter saud\u00e1veis mesmo sem os antirretrovirais e est\u00e3o assim h\u00e1 cerca de sete anos. Um deles est\u00e1 h\u00e1 uma d\u00e9cada sem a medica\u00e7\u00e3o. S\u00e1ez-Ciri\u00f3n se refere a essa cura como &#8220;estado de remiss\u00e3o do v\u00edrus&#8221; &#8211; pois o HIV continua presente no corpo, ainda que n\u00e3o provoque o desenvolvimento da Aids. &#8220;Quando vimos os resultados, percebemos que isso pode ser um grande passo para a luta contra o HIV. Ficamos muito emocionados. Queremos refor\u00e7ar a mensagem de que o tratamento precoce \u00e9 importante&#8221;, diz S\u00e1ez-Ciri\u00f3n.<\/p>\n<p>O tratamento precoce foi respons\u00e1vel por um caso ainda mais impressionante. Em mar\u00e7o deste ano, cientistas americanos revelaram que um beb\u00ea (que n\u00e3o teve o nome nem o sexo divulgados) havia sido curado do HIV. Se uma gr\u00e1vida sabe que tem o v\u00edrus da Aids e recebe tratamento adequado, com medicamentos antiretrovirais, h\u00e1 96% de chance de que o beb\u00ea nas\u00e7a sem o v\u00edrus. Mas, neste caso, n\u00e3o foi assim. A m\u00e3e da crian\u00e7a, que n\u00e3o havia recebido atendimento pr\u00e9-natal, chegou ao hospital j\u00e1 em trabalho de parto. Um teste feito na hora detectou que ela tinha HIV. Era tarde demais para tratar a m\u00e3e e impedir que transmitisse a doen\u00e7a para o filho.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o os m\u00e9dicos fizeram o parto e levaram o rec\u00e9m-nascido para a pediatra Hanna Gay, da Universidade do Mississipi. Ela decidiu tratar o beb\u00ea com altas doses de antiretrovirais, que foram mantidos durante os primeiros 18 meses da vida da crian\u00e7a. A partir da\u00ed, a m\u00e3e sumiu e n\u00e3o veio mais pegar os rem\u00e9dios. Ela ficou dez meses sem aparecer, e o beb\u00ea n\u00e3o recebeu nenhum tratamento durante esse per\u00edodo. O que era um caso de relapso materno acabou resultando numa descoberta cient\u00edfica incr\u00edvel: mesmo sem nenhum rem\u00e9dio, o HIV n\u00e3o retornou. N\u00e3o havia mais v\u00edrus no sangue da crian\u00e7a. Aparentemente, o tratamento ultraprecoce evitou que o HIV entrasse nos reservat\u00f3rios (mesma coisa que teria acontecido com os pacientes franceses).<\/p>\n<p>Humanos x HIV<br \/>\nVeja quem j\u00e1 est\u00e1 vencendo a doen\u00e7a &#8211; e como<\/p>\n<p>Terapia atual<br \/>\nComo \u00e9? &#8211; O portador de HIV recebe uma combina\u00e7\u00e3o de medicamentos (o chamado coquetel de antiretrovirais) que impede a multiplica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. A quantidade de HIV no sangue despenca, chegando a n\u00edveis muito baixos.<\/p>\n<p>A pessoa desenvolve Aids? &#8211; N\u00e3o.<\/p>\n<p>Pode transmitir o v\u00edrus? &#8211; Sim. O HIV permanece escondido no organismo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/hiv-e1449071476942.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22082\" src=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/hiv-e1449071476942.jpg\" alt=\"hiv\" width=\"500\" height=\"315\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Terapia de pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Como \u00e9? &#8211; O portador de HIV recebe um medicamento que acorda as c\u00e9lulas onde o v\u00edrus estava escondido. Em seguida, toma o coquetel de antiretrovirais &#8211; que impedem a multiplica\u00e7\u00e3o do HIV. Com o tempo, isso pode levar \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o total do v\u00edrus do organismo.<\/p>\n<p>Pode transmitir o v\u00edrus? &#8211; Em tese, n\u00e3o. Mas a t\u00e9cnica ainda est\u00e1 em fase experimental.<\/p>\n<p>Geneticamente imune<br \/>\nComo \u00e9? &#8211; Existem pessoas que nascem com uma muta\u00e7\u00e3o na prote\u00edna CCR5 &#8211; e isso impede o HIV de entrar nas c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>Pode transmitir o v\u00edrus? &#8211; H\u00e1 controv\u00e9rsias. Embora o HIV n\u00e3o consiga se multiplicar, \u00e9 poss\u00edvel que algumas c\u00f3pias dele se instalem no organismo &#8211; o suficiente para infectar algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Supercontrolador<br \/>\nComo \u00e9? &#8211; \u00c9 uma pessoa cujo sistema imunol\u00f3gico consegue controlar o HIV, mesmo sem a ajuda de rem\u00e9dios. Ainda n\u00e3o se sabe o que torna uma pessoa controladora de elite. \u00c9 o caso dos pacientes franceses do grupo Visconti.<\/p>\n<p>Pode transmitir o v\u00edrus? &#8211; Sim.<\/p>\n<p>Beb\u00ea de Mississipi<br \/>\nComo \u00e9? &#8211; O filho de uma mulher HIV-positiva come\u00e7ou a receber o coquetel de antirretrovirais logo ap\u00f3s o nascimento. O v\u00edrus sumiu.<\/p>\n<p>Pode transmitir o v\u00edrus? &#8211; Em tese, n\u00e3o. O beb\u00ea est\u00e1 aparentemente curado, com carga viral indetect\u00e1vel.<\/p>\n<p>Paciente de Berlim<br \/>\nComo \u00e9? &#8211; Recebeu um transplante de medula \u00f3ssea de um paciente que tinha CCR5 mutante, ou seja, era imune ao HIV. Com isso, ele tamb\u00e9m adquiriu imunidade ao v\u00edrus.<\/p>\n<p>Pode transmitir o v\u00edrus? &#8211; Em tese, n\u00e3o. O HIV desapareceu do organismo.<\/p>\n<p><strong>REENGENHARIA GEN\u00c9TICA<\/strong><\/p>\n<p>A expuls\u00e3o do v\u00edrus, o tratamento ultraprecoce, as vacinas e os transplantes n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas frentes de pesquisa contra o HIV. Existe mais uma, que consegue ser ainda mais ousada: modificar geneticamente o corpo humano para torn\u00e1-lo resistente ao v\u00edrus. A t\u00e9cnica foi idealizada em 2008 e est\u00e1 sendo desenvolvida pela Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia em parceria com a empresa de biotecnologia Sangamo BioSciences. Primeiro, obt\u00e9m-se uma amostra de c\u00e9lulas T do paciente (coletando um pouco de sangue). Em seguida, usando t\u00e9cnicas de manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, essas c\u00e9lulas s\u00e3o alteradas. Elas passam a produzir uma vers\u00e3o deficiente da prote\u00edna CCR5 &#8211; aquela prote\u00edna essencial para o v\u00edrus da Aids. As c\u00e9lulas geneticamente modificadas s\u00e3o reinjetadas na pessoa, se multiplicam e aos poucos v\u00e3o substituindo as c\u00e9lulas T normais. E o paciente adquire imunidade ao HIV. Essa \u00e9 a ideia.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica j\u00e1 foi testada em algumas pessoas. A mais famosa delas \u00e9 um homem, identificado apenas como &#8220;Paciente de Trenton&#8221; (o nome vem da cidade onde mora, em Nova Jersey). Ele recebeu as c\u00e9lulas modificadas e parou de tomar os medicamentos anti-HIV. Num primeiro momento, a quantidade de v\u00edrus em seu sangue disparou. Mas em seguida despencou, at\u00e9 zerar. O HIV sumiu. &#8220;Eu me senti um super-homem&#8221;, disse o paciente ao jornal New York Times. O resultado \u00e9 animador, mas ainda n\u00e3o pode ser considerado cura. O estudo durou pouqu\u00edssimo tempo, apenas tr\u00eas meses (depois disso, o homem voltou a tomar os antirretrovirais, de forma preventiva). Seria preciso esperar mais para assegurar que o v\u00edrus n\u00e3o iria voltar. Al\u00e9m disso, o Paciente de Trenton possu\u00eda uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que debilitava um pouco a prote\u00edna CCR5. Ele n\u00e3o era imune ao HIV, mas essa muta\u00e7\u00e3o pode ter aumentado a efic\u00e1cia do tratamento &#8211; que n\u00e3o funcionou t\u00e3o bem com os outros pacientes. H\u00e1 um novo teste em curso, com nove soropositivos, e os resultados ser\u00e3o publicados at\u00e9 o final do ano.<\/p>\n<p>H\u00e1 um detalhe especialmente intrigante. No Paciente de Trenton, apenas 13,5% das c\u00e9lulas T adquiriram resist\u00eancia ao v\u00edrus durante o estudo. Todas as demais continuaram vulner\u00e1veis. Mas essa mudan\u00e7a, modesta, j\u00e1 foi suficiente para que o organismo virasse o jogo contra o HIV e o eliminasse completamente do sangue. Talvez seja poss\u00edvel estender os limites do corpo humano &#8211; e, com uma pequena ajuda, torn\u00e1-lo capaz de vencer a Aids. Talvez as drogas que expulsam o v\u00edrus de seus reservat\u00f3rios funcionem cada vez melhor, e se tornem lugar-comum daqui a alguns anos. Talvez os tratamentos ultraprecoces livrem milh\u00f5es de pessoas do v\u00edrus. Mas not\u00edcias promissoras n\u00e3o significam que devamos baixar a guarda. Pelo contr\u00e1rio. A preven\u00e7\u00e3o e o sexo seguro (com camisinha) continuam sendo essenciais. Para de fato vencer a Aids, a humanidade ter\u00e1 de apelar para as armas mais poderosas que existem: a intelig\u00eancia e o bom senso. Afinal, se o v\u00edrus pode evoluir, n\u00f3s tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O primeiro curado<br \/>\nO americano Timothy Ray Brown, 47, recebeu um transplante experimental de medula \u00f3ssea &#8211; e, por conta disso, seu corpo se livrou do v\u00edrus HIV. Aqui, ele conta como foi o processo, e como vive hoje em dia.<\/p>\n<p>O transplante, que voc\u00ea recebeu em 2009, era um procedimento arriscado, que poderia levar \u00e0 morte. Por que voc\u00ea aceitou?<br \/>\nQuando os m\u00e9dicos come\u00e7aram a tentar me convencer, eu disse n\u00e3o, porque o v\u00edrus HIV estava em remiss\u00e3o (sob controle). Mas eu tive leucemia, e tive de fazer o transplante por causa dela. N\u00e3o fiz por causa da Aids; fiz por causa da leucemia.<\/p>\n<p>E como voc\u00ea se sentiu quando descobriu que estava curado do HIV?<br \/>\nEu n\u00e3o acreditei muito, at\u00e9 que o Dr. (Gero) H\u00fctter publicou o caso no New England Journal of Medicine (em 2009). A\u00ed eu pensei: ok, se outras pessoas acreditam que aconteceu, ent\u00e3o eu vou acreditar. Se cientistas estavam acreditando, ent\u00e3o era verdade. Me senti aliviado. Isso mudou a minha vida.<\/p>\n<p>Voc\u00ea se sente curado?<br \/>\nEu definitivamente me sinto curado. Meu corpo foi analisado da cabe\u00e7a aos p\u00e9s, fiz in\u00fameros exames de sangue, e n\u00e3o h\u00e1 sinal do HIV no meu corpo.<\/p>\n<p>Como \u00e9 a sua rotina m\u00e9dica?<br \/>\nQuando eu estava morando em S\u00e3o Francisco, ia ao m\u00e9dico pelo menos uma vez por m\u00eas. Mas, desde que me mudei para Las Vegas (onde administra uma funda\u00e7\u00e3o de luta contra a Aids), s\u00f3 vou ao m\u00e9dico se tiver necessidade. Mas eu continuo participando de estudos que possam ajudar mais pessoas a serem curadas.<\/p>\n<p><strong>O placar do jogo<\/strong><\/p>\n<p>N\u00fameros da epidemia que mudou o mundo:<\/p>\n<p>&#8211; 26% da popula\u00e7\u00e3o na Suazil\u00e2ndia tem o v\u00edrus. \u00c9 o pa\u00eds com maior incid\u00eancia de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Em Bangladesh, menos de 0,1% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 infectada. \u00c9 a menor propor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Mais de metade dos infectados s\u00e3o mulheres, mas o problema \u00e9 muito pior no sul da \u00c1frica, onde mulheres representam 58% dos infectados.<\/p>\n<p>&#8211; At\u00e9 2015, o or\u00e7amento estimado para combater a Aids no mundo inteiro \u00e9 de US$ 24 bilh\u00f5es anuais.<\/p>\n<p>&#8211; Somente nos EUA, foram gastos US$ 344 bilh\u00f5es no combate \u00e0 Aids desde 1981.<\/p>\n<p>&#8211; 30 milh\u00f5es de pessoas j\u00e1 morreram de Aids<\/p>\n<p>&#8211; Cerca de 15 milh\u00f5es de pessoas t\u00eam acesso a tratamento com antirretrovirais.<\/p>\n<p>&#8211; Nas Maldivas, menos de 100 pessoas possuem o v\u00edrus. \u00c9 o pa\u00eds de menor incid\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8211; Na \u00c1frica do Sul, 5,6 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o infectadas. \u00c9 o l\u00edder mundial.<\/p>\n<p>&#8211; 34 milh\u00f5es est\u00e3o infectadas no mundo.<\/p>\n<p><strong>PARA SABER MAIS<\/strong><\/p>\n<p>Administration of vorinostat disrupts HIV-1 latency in patients on antiretroviral therapy.<br \/>\nD.M. Margolis e outros, Nature, 2012.<\/p>\n<p>Histone Deacetylase Inhibitors for Purging HIV-1 from the Latent Reservoir.<br \/>\nThomas Rasmussen e outros, Molecular Medicine Journal, 2011.<\/p>\n<p>Expression of Latent HIV Induced by the Potent HDAC Inhibitor Suberoylanilide Hydroxamic Acid.<br \/>\nD.M. Margolis, Daria Hazuda e outros, Aids Research and Human Retroviruses, 2009.<\/p>\n<p>Establishment of HIV-1 resistance in CD4+ T cells by genome editing.<br \/>\nElena E. Perez e outros, Nature Biotechnology, 2008.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/timthumb-e1449071591162.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22083\" src=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/timthumb-e1449071591162.jpg\" alt=\"timthumb\" width=\"500\" height=\"312\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Reportagem:<\/strong> http:\/\/super.abril.com.br\/ciencia\/a-cura-da-aids?utm_source=redesabril_jovem&amp;utm_medium=facebook&amp;utm_campaign=redesabril_super<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele \u00e9 rudimentar. \u00c9 uma bolinha min\u00fascula, de 130 nan\u00f4metros, com apenas nove genes dentro. O v\u00edrus HIV n\u00e3o se compara, nem de longe, \u00e0 sofistica\u00e7\u00e3o de uma c\u00e9lula humana (que tem 20 mil genes) &#8230; <a class=\"readmore\" href=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/segundo-especialistas-cura-da-aids-ja-foi-descoberta-e-ciencia-ja-sabe-como-dar-o-golpe-final-no-virus-hiv\/\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22079,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0},"categories":[4],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v20.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Segundo especialistas, cura da Aids j\u00e1 foi descoberta e ci\u00eancia j\u00e1 sabe como dar o golpe final no v\u00edrus HIV<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Conhe\u00e7a os bastidores da descoberta m\u00e9dica mais importante dos \u00faltimos 25 anos - 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