{"id":999937829,"date":"2016-11-30T17:17:01","date_gmt":"2016-11-30T17:17:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/?p=999937829"},"modified":"2016-11-30T17:17:01","modified_gmt":"2016-11-30T17:17:01","slug":"televisao-vale-pena-ver-menos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/televisao-vale-pena-ver-menos\/","title":{"rendered":"Televis\u00e3o: vale a pena ver menos"},"content":{"rendered":"<p>Desligue a TV e v\u00e1 ler um livro. Ou melhor, pode continuar aqui lendo a SA\u00daDE. O importante mesmo \u00e9 sair da frente da telinha. \u00c9 que, apesar de soar inofensivo, o h\u00e1bito de ficar muito tempo na frente do aparelho pode ser prejudicial \u00e0 sa\u00fade. Exagero? Segundo uma nova revis\u00e3o de estudos da Escola Norueguesa de Ci\u00eancias do Esporte, assistir a tr\u00eas horas ou mais de televis\u00e3o por dia est\u00e1 associado a um aumento de 93% no risco de morte por qualquer causa.<\/p>\n<p>Esse dado \u00e9 particularmente preocupante para n\u00f3s brasileiros. Afinal, falamos do meio de comunica\u00e7\u00e3o e de entretenimento mais utilizado por aqui. A \u00faltima Pesquisa Brasileira de M\u00eddia, conduzida pela Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, mostrou que gastamos, em m\u00e9dia, quatro horas por dia diante da TV.<\/p>\n<p>O excesso de tempo sentado \u00e9 o principal vil\u00e3o nessa novela. E o objetivo inicial da equipe norueguesa era descobrir se a atividade f\u00edsica poderia amenizar, ou at\u00e9 eliminar, os riscos atrelados a esse comportamento. Os resultados apontaram que sim: \u00e9 poss\u00edvel anular o perigo com, no m\u00ednimo, uma hora de exerc\u00edcios todo santo dia. O surpreendente, no entanto, foi que mexer o esqueleto n\u00e3o diminuiu (muito menos fez desaparecer) a probabilidade de piripaques entre as pessoas que dedicavam v\u00e1rias horas a filmes, seriados e demais programas televisivos.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que os cientistas notaram que o sof\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico inimigo \u2013 outros h\u00e1bitos pioram a situa\u00e7\u00e3o. \u201cSentar em frente \u00e0 TV pode estimular atitudes ruins, como a ingest\u00e3o de alimentos e bebidas pouco saud\u00e1veis\u201c, exemplifica o epidemiologista Ulf Ekelund, um dos respons\u00e1veis pela revis\u00e3o. Ou seja: tr\u00eas horinhas na sala ou no quarto olhando para o televisor parecem ser mais nocivas do que aquelas horas na cadeira do escrit\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cAinda que pouco, no trabalho voc\u00ea acaba se movimentando para pegar um caf\u00e9, entregar um documento ou conversar com um colega. Isso dificilmente ocorre quando se est\u00e1 vendo TV\u201d, compara o educador f\u00edsico Raul Santos de Oliveira, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo. Para muita gente, s\u00f3 faz sentido levantar no meio de um epis\u00f3dio da s\u00e9rie predileta se for para buscar um petisco \u2013 e, a\u00ed, o enredo se complica.<\/p>\n<p>Outra agravante est\u00e1 no hor\u00e1rio em que o corpo fica inerte e com olhos vidrados. Na maioria das vezes, \u00e0 noite, logo ap\u00f3s o jantar. Isso prejudica a a\u00e7\u00e3o de uma enzima chamada lipoprote\u00edna lipase, respons\u00e1vel por eliminar as mol\u00e9culas de gordura dos vasos sangu\u00edneos. Essa falha favorece o ganho de peso e torna o ambiente prop\u00edcio para um filme de terror no organismo, com direito a maior probabilidade de infarto no final.<\/p>\n<p>O conte\u00fado publicit\u00e1rio veiculado nas telas tamb\u00e9m d\u00e1 sua contribui\u00e7\u00e3o. Estudiosos da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em Minas Gerais, analisaram 239 propagandas de alimentos e notaram que 85% dos produtos anunciados eram doces e fontes de gorduras. Frutas, hortali\u00e7as e verduras nem sequer apareciam nos comerciais. \u201cA quest\u00e3o \u00e9 que a m\u00eddia exerce grande influ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que consumimos\u201d, lembra o educador f\u00edsico Gr\u00e9gore Mielke, da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o tem jeito. Precisamos retomar aquela hist\u00f3ria de ficar horas a fio com as n\u00e1degas afundadas no sof\u00e1, j\u00e1 que o conflito todo para o nosso corpo come\u00e7a justamente a\u00ed. Para uma por\u00e7\u00e3o de gente, esse comportamento faz parte da rotina e da profiss\u00e3o. Pode at\u00e9 parecer bastante confort\u00e1vel, mas a realidade \u00e9 que cada c\u00e9lula do organismo est\u00e1 alvoro\u00e7ada s\u00f3 esperando que voc\u00ea se mexa. \u201cNosso corpo foi feito para se movimentar\u201d, ressalta a educadora f\u00edsica Cl\u00e1udia Forjaz, da Universidade de S\u00e3o Paulo. O sedentarismo, de certo modo, vai contra a nossa natureza.<\/p>\n<p>O sangue que corre pelas art\u00e9rias, por exemplo, depende desse agito para viajar sem entraves. Logo, se permanecemos parados feito m\u00famia de filme B, aumenta o perigo de um entupimento nessa rede. N\u00e3o \u00e0 toa, em uma pesquisa da Universidade Osaka, no Jap\u00e3o, o h\u00e1bito elevou em 70% o risco de embolia pulmonar \u2013 condi\u00e7\u00e3o marcada por um bloqueio nos vasos dos pulm\u00f5es. \u201cApesar de n\u00e3o termos investigado a causa do problema, acreditamos que seja consequ\u00eancia da redu\u00e7\u00e3o na velocidade da circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea. E isso \u00e9 resultado do tempo excessivo que as pessoas passam sentadas\u201d, explica o epidemiologista Toru Shirakawa. \u201cFazer uma pausa, levantar e caminhar um pouco pelos arredores j\u00e1 ajuda a prevenir essas complica\u00e7\u00f5es\u201d, aconselha.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udia concorda e ainda ensina uma conta simples para usar no dia a dia. \u201cPara cada meia hora na cadeira, o ideal \u00e9 passar cinco minutos em p\u00e9\u201d, diz. Se achar dif\u00edcil adotar esse esquema imediatamente, ou estiver em uma semana atribulad\u00edssima no trabalho, saiba que mexer um pouco as pernas faz diferen\u00e7a. Foi o que concluiu um experimento publicado recentemente no peri\u00f3dico <em>American Journal of Physiology Heart and Circulatory Physiology<\/em>. Depois de analisar a fun\u00e7\u00e3o vascular dos membros inferiores de 11 jovens saud\u00e1veis antes e depois de ficarem tr\u00eas horas na cadeira, os estudiosos conclu\u00edram que movimentar essa regi\u00e3o do corpo, ainda que sentado, traz vantagens aos vasos.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, a melhor sa\u00edda para driblar os efeitos do comportamento sedent\u00e1rio\u00e9 apostar na atividade f\u00edsica\u201d, frisa o educador f\u00edsico Rodrigo Reis, do Centro de Pesquisa em Preven\u00e7\u00e3o da Universidade Washington em St. Louis, nos Estados Unidos. \u201cEla n\u00e3o s\u00f3 reduz a probabilidade de danos como traz benef\u00edcios extras\u201d, complementa. \u201cNossos resultados sugerem que a pr\u00e1tica di\u00e1ria de 60 a 75 minutos de exerc\u00edcios elimina o risco de morte decorrente do excesso de tempo sentado\u201d, refor\u00e7a Ekelund, do trabalho noruegu\u00eas.<\/p>\n<p>Mas vale a pena ler de novo: al\u00e9m de suar a camisa, \u00e9 crucial aproveitar o tempo de folga para investir em atividades que n\u00e3o incluam s\u00f3 ficar prostrado em frente \u00e0 televis\u00e3o. \u00c9 isso que enterra de vez as chances de levar uma vida mais equilibrada. No lugar, que tal dar in\u00edcio a um curso de pintura? Ou, ainda, reunir-se mais com a fam\u00edlia e os amigos? Tamb\u00e9m d\u00e1 para intercalar um epis\u00f3dio da s\u00e9rie do momento com cap\u00edtulos de um livro \u2013 sempre lembrando de ficar em p\u00e9 vez ou outra. Atitudes singelas podem tanto minimizar o drama ao longo do roteiro como ajudar a evitar finais infelizes.<\/p>\n<h3>Sentado e doente<\/h3>\n<p><em>Por que a in\u00e9rcia abala o corpo todo<\/em><\/p>\n<p><strong>Coluna indefesa<\/strong><\/p>\n<p>A postura dos sentados, em geral, \u00e9 curvada, o que pode danificar os discos que ficam entre as v\u00e9rtebras.<\/p>\n<p><strong>Cora\u00e7\u00e3o ferrado<\/strong><\/p>\n<p>Como o sangue n\u00e3o circula direito, os vasos correm maior risco de entupir e sobrecarregar o m\u00fasculo card\u00edaco.<\/p>\n<p><strong>Cabe\u00e7a de zumbi<\/strong><\/p>\n<p>Com menos oxig\u00eanio trafegando, o c\u00e9rebro falha na miss\u00e3o de nos deixar alertas. Cai, portanto, nosso n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Cad\u00ea o f\u00f4lego?<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00e1 postura deixa os pulm\u00f5es sem espa\u00e7o para expandir. Isso limita a quantidade de oxig\u00eanio que ser\u00e1 enviada ao sangue.<\/p>\n<p><strong>Peso pesado<\/strong><\/p>\n<p>O sedentarismo, somado \u00e0 ingest\u00e3o de alimentos cal\u00f3ricos, leva ao ac\u00famulo de gordura no organismo.<\/p>\n<p><strong>Doce veneno<\/strong><\/p>\n<p>A falta de movimento dificulta a convers\u00e3o do a\u00e7\u00facar presente na circula\u00e7\u00e3o em energia. \u00c9 um passo para o diabete.<\/p>\n<h3>Por que levantar?<\/h3>\n<p><em>Os n\u00fameros confirmam: ficar sentado n\u00e3o \u00e9 nada bom<\/em><\/p>\n<ul>\n<li><strong>13%<\/strong>\u00a0\u00e9 quanto sobe o risco de mortalidade por assistir \u00e0 TV durante mais de duas horas.<\/li>\n<li><strong>5%<\/strong>\u00a0\u00e9 quanto aumenta a probabilidade de morrer a cada duas horas extras sentado.<\/li>\n<li><strong>4%<\/strong> das mortes no mundo seriam evitadas com tr\u00eas horas a menos na cadeira ou no sof\u00e1.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Reportagem Original:\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/fitness\/televisao-vale-a-pena-ver-menos\/\">http:\/\/saude.abril.com.br\/fitness\/televisao-vale-a-pena-ver-menos\/<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desligue a TV e v\u00e1 ler um livro. 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