{"id":999938934,"date":"2017-01-05T15:42:52","date_gmt":"2017-01-05T15:42:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/?p=999938934"},"modified":"2017-01-05T15:42:52","modified_gmt":"2017-01-05T15:42:52","slug":"aedes-aegypti-sempre-ele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/aedes-aegypti-sempre-ele\/","title":{"rendered":"Aedes aegypti: sempre ele"},"content":{"rendered":"<p>No Norte e no Centro-Oeste, dep\u00f3sitos de lixo s\u00e3o os locais onde as f\u00eameas do mosquito <em>Aedes aegypti<\/em>\u00a0mais depositam seus ovos. Nas regi\u00f5es Nordeste e Sul, o maior foco de procria\u00e7\u00e3o do inseto s\u00e3o ton\u00e9is e caixas-d\u2019\u00e1gua. E, no Sudeste, ele\u00a0se reproduz principalmente em vasos de planta, garrafas e calhas. O problema disso, claro, \u00e9 que esse bichinho carrega os v\u00edrus da dengue, do zika e do chikungunya.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 a bola da vez: segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o chikungunya esteve por tr\u00e1s de 251 mil casos em 2016 e superou o zika, que atingiu 208 mil indiv\u00edduos. E olha que os especialistas esperam um crescimento nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>\u201cNo ver\u00e3o passado estive em Sergipe e confesso que fiquei impressionado com a quantidade de infectados e o impacto que a doen\u00e7a traz \u00e0 vida deles\u201d, conta o virologista Paolo Zanotto, do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). O aumento deve acontecer nas regi\u00f5es Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, onde o v\u00edrus ainda n\u00e3o se espalhou com for\u00e7a e a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>No Norte e no Nordeste, uma boa parcela do povo j\u00e1 teve algum contato com o agente infeccioso e, portanto, desenvolveu uma resposta imunol\u00f3gica contra ele. Os sintomas cl\u00e1ssicos s\u00e3o febre alta de in\u00edcio repentino, manchas na pele e dores nas juntas. Esta \u00faltima manifesta\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, gera alarde porque pode se perpetuar ap\u00f3s o quadro.<\/p>\n<p>O nome chikungunya vem do sua\u00edli, um dos idiomas da Tanz\u00e2nia, local onde foi descrito pela primeira vez, e significa literalmente \u201caqueles que se dobram\u201d. O termo retrata a posi\u00e7\u00e3o em que os pacientes ficam em decorr\u00eancia dos inc\u00f4modos articulares. Em 20% dos epis\u00f3dios, a dor se torna cr\u00f4nica e permanece por meses ou anos sem tr\u00e9gua.<\/p>\n<p>\u201cE ela acomete justamente as partes que o sujeito utiliza no dia a dia, como m\u00e3os, joelhos e cotovelos\u201d, observa o infectologista Celso Granato, do Fleury Medicina e Sa\u00fade, em S\u00e3o Paulo. A quest\u00e3o \u00e9 que os m\u00e9dicos n\u00e3o t\u00eam ideia de como aliviar a deteriora\u00e7\u00e3o das juntas.<\/p>\n<p>Para tentar responder a algumas das d\u00favidas, a Sociedade Brasileira de Reumatologia est\u00e1 elaborando o primeiro documento com as orienta\u00e7\u00f5es de tratamento do problema. \u201cReunimos um grupo de 30 profissionais de sa\u00fade de diferentes especialidades e analisamos mais de 170 artigos cient\u00edficos para escrever as recomenda\u00e7\u00f5es, que v\u00e3o ser publicadas em breve\u201d, conta o reumatologista Georges Basile Christopoulos, presidente da entidade.<\/p>\n<p>A proposta \u00e9 recorrer a um esquema terap\u00eautico similar ao empregado no combate \u00e0 artrite reumatoide, desordem autoimune que tamb\u00e9m inflama as dobradi\u00e7as do corpo. \u201cN\u00f3s vamos conversar com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para oferecer cursos de capacita\u00e7\u00e3o aos m\u00e9dicos do atendimento b\u00e1sico, uma vez que n\u00e3o temos contingente para absorver toda a demanda que vir\u00e1\u201d, detalha Christopoulos. Diante de febre s\u00fabita e sensa\u00e7\u00e3o dolorosa nas juntas, procure o hospital. Rem\u00e9dios, \u00e1gua e repouso absoluto podem evitar complica\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p><em><strong>Como o v\u00edrus compromete as articula\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Teoria 1<\/strong><br \/>\nExperi\u00eancias detectaram exemplares do chikungunya dentro das articula\u00e7\u00f5es, o que indica uma a\u00e7\u00e3o direta nessas estruturas. O preju\u00edzo seria maior \u00e0 membrana sinovial, uma pel\u00edcula que protege as juntas e permite que elas dobrem corretamente.<\/p>\n<p><strong>Teoria 2<\/strong><br \/>\nA presen\u00e7a do v\u00edrus faz as c\u00e9lulas de defesa ficarem muito ativadas. Elas atuam com o objetivo de neutralizar a invas\u00e3o. Devido ao excesso de est\u00edmulo, as unidades do sistema imune passam a atacar e a inflamar as articula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em><strong>Zika<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Nenhum outro tema de sa\u00fade ganhou tanto destaque em 2016 quanto o zika v\u00edrus. N\u00e3o pela doen\u00e7a em si, que na maioria dos casos nem sintoma d\u00e1. O drama s\u00e3o suas consequ\u00eancias nefastas: a s\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9 e, principalmente, a microcefalia (leia mais \u00e0 direita). E pensar que, h\u00e1 tr\u00eas anos, a ci\u00eancia nem suspeitava dessa rela\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>\u201cA cada dia nos deparamos com coisas novas, como o fato de que pessoas com o v\u00edrus reportam dores abdominais e diarreia\u201d,<br \/>\nexemplifica o m\u00e9dico Antonio Carlos Bandeira, da Sociedade Brasileira de Infectologia. Agora, estudos come\u00e7am a relatar uma esp\u00e9cie de microcefalia adquirida, quando a crian\u00e7a nasce com uma cabe\u00e7a de tamanho saud\u00e1vel, mas que para de crescer aos 4 ou 5 meses.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 outra faceta grave do zika que n\u00e3o conhec\u00edamos e com a qual precisaremos lidar\u201d, constata a neuropediatra Silvana Frizzo, do Hospital Infantil Sabar\u00e1, em S\u00e3o Paulo. Enquanto uma vacina n\u00e3o vira realidade, resta aos casais planejarem a gravidez e \u00e0s gestantes capricharem nos repelentes.<\/p>\n<h3>\u00a0<em><strong>Os efeitos mais gravez\u00a0dessa infec\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/h3>\n<p><strong>Microcefalia:<\/strong> o\u00a0zika tem uma prefer\u00eancia por invadir neur\u00f4nios e as demais c\u00e9lulas do sistema nervoso que est\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o. Isso empaca o desenvolvimento cerebral do beb\u00ea na gesta\u00e7\u00e3o e nos primeiros meses de vida. Mais de 2 100 casos de microcefalia foram confirmados em 725 cidades.<br \/>\n<strong>Guillain-Barr\u00e9:\u00a0<\/strong>O v\u00edrus interfere no funcionamento do sistema imune, que passa a atacar nervos perif\u00e9ricos do organismo. O resultado disso \u00e9 dor e perda de sensibilidade em m\u00fasculos de bra\u00e7os, pernas e at\u00e9 do sistema respirat\u00f3rio. 100% foi quanto a incid\u00eancia da s\u00edndrome subiu no Nordeste durante a \u00e9poca com mais relatos de zika.<\/p>\n<p><em><strong>Dengue<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Velha conhecida dos ver\u00f5es dos \u00faltimos 30 anos, a dengue causar\u00e1 um estrago um pouco menor em 2017. Mas nada do que se orgulhar: isso se deve ao fato de que 2015 e 2016 bateram todos os recordes hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como o mesmo tipo de v\u00edrus do ano passado vai estar ativo agora (h\u00e1 quatro tipos diferentes de dengue), a tend\u00eancia \u00e9 que a taxa de infec\u00e7\u00f5es seja mais baixa. A boa-nova \u00e9 que finalmente temos uma vacina j\u00e1 aprovada e dispon\u00edvel no pa\u00eds. Fabricada pelo laborat\u00f3rio franc\u00eas Sanofi Pasteur, carece de tr\u00eas doses e confere uma prote\u00e7\u00e3o de 66%.<\/p>\n<p>Ela parece ser particularmente bem-vinda para diminuir o risco de interna\u00e7\u00f5es e complica\u00e7\u00f5es nos quadros graves. Por ora, o imunizante s\u00f3 est\u00e1 na rede privada. \u201cEle foi inserido num programa p\u00fablico de vacina\u00e7\u00e3o de 30 munic\u00edpios do Paran\u00e1 com alta incid\u00eancia de casos\u201d, destaca Sheila Homsani, diretora m\u00e9dica da farmac\u00eautica. A primeira dose foi aplicada em setembro e outubro e a segunda est\u00e1 prevista para o m\u00eas de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Outra candidata fort\u00edssima \u00e9 desenvolvida pelo Instituto Butantan, em S\u00e3o Paulo. A vers\u00e3o nacional precisa de apenas uma dose e promete ter uma efic\u00e1cia superior a 90%. \u201cAs pesquisas finais est\u00e3o em andamento em 14 centros de todo o pa\u00eds e envolver\u00e3o 17 mil volunt\u00e1rios\u201d, estima o imunologista Jorge Kalil, diretor do instituto.<\/p>\n<p>At\u00e9 o final de novembro, 4 mil pessoas foram imunizadas, mas a expectativa \u00e9 que o n\u00famero aumente nos pr\u00f3ximos meses. Com bons resultados em m\u00e3os, a vacina ser\u00e1 submetida \u00e0s ag\u00eancias regulat\u00f3rias dentro de dois anos.<\/p>\n<p>Em 2016,\u00a0o Brasil teve uma taxa de 713 casos de dengue por 100 mil habitantes. Nesse per\u00edodo, foram 803 infec\u00e7\u00f5es graves<br \/>\ne 601 mortes pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p><em><strong>Outros v\u00edrus propagados pelo Aedes<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m de chikungunya, zika e dengue, existem outros 65 v\u00edrus que s\u00e3o transmitidos pela picada do Aedes aegypti e de seus parentes. Mas o que influencia sua propaga\u00e7\u00e3o em um determinado lugar? Ningu\u00e9m sabe.<\/p>\n<p>\u201cV\u00e1rios fatores est\u00e3o envolvidos nesse processo, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a urbaniza\u00e7\u00e3o, mas a ci\u00eancia n\u00e3o consegue prever com exatid\u00e3o qual vai ser a epidemia seguinte\u201d, esclarece Granato. As febres do mayaro, do Nilo Ocidental e a amarela urbana, que assolam o continente africano, tiraram o sono dos especialistas mundo afora.<\/p>\n<p>Mas o m\u00e1ximo que pode ser feito para evitar que elas se difundam \u00e9 um bom controle sanit\u00e1rio das fronteiras, ficar atento a sintomas e notificar autoridades. \u201cN\u00e3o adianta pensar nelas agora. O risco de surgirem por aqui n\u00e3o \u00e9 grande\u201d, afirma o infectologista Marcos Boulos, da Faculdade de Medicina da USP. Pois \u00e9, nada de alarmismo ou sofrer por antecipa\u00e7\u00e3o\u2026 \u201cAs tr\u00eas doen\u00e7as que circulam no momento s\u00e3o mais do que suficientes para nos preocuparmos\u201d, diz Boulos.<\/p>\n<p><strong>Febre amarela urbana: <\/strong>marcada por n\u00e1usea e dor de cabe\u00e7a, ela est\u00e1 erradicada no Brasil desde a d\u00e9cada de 1940. Mas um surto em Angola se espalhou para Congo, Qu\u00eania e China e ligou o sinal de alerta entre as autoridades internacionais.<\/p>\n<p><strong>Febre do Mayaro:<\/strong>\u00a0quase 200 casos foram comunicados no Norte e no Centro-Oeste do Brasil. Febre, cansa\u00e7o e inc\u00f4modo nas juntas s\u00e3o parecidos aos do chikungunya \u2014 \u00e9 poss\u00edvel que as duas condi\u00e7\u00f5es sejam confundidas por a\u00ed.<\/p>\n<p><strong>Febre do Nilo Ocidental:<\/strong> n\u00e3o h\u00e1 relatos recentes da presen\u00e7a do v\u00edrus por tr\u00e1s dessa enfermidade no nosso pa\u00eds. Ele ataca o sistema nervoso central e provoca uma inflama\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro. \u00c9 bem perigosa em idades avan\u00e7adas.<\/p>\n<p><strong><em>Como o governo, a ci\u00eancia e a sociedade podem atuar contra o Aedes aegypti<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Governo:<\/strong>\u00a0investir em saneamento b\u00e1sico e na limpeza de rios e\u00a0c\u00f3rregos.\u00a0Realizar campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o o ano todo.\u00a0Limpar terrenos baldios, vielas, bueiros e lix\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia:<\/strong> soltar mosquitos transg\u00eanicos que n\u00e3o transmitem os v\u00edrus.\u00a0Estudar a Wolbachia, bact\u00e9ria que inativa a transmiss\u00e3o do v\u00edrus.\u00a0Criar vacinas seguras e efetivas para dengue, zika e chikungunya.<\/p>\n<p><strong>Popula\u00e7\u00e3o:<\/strong> Eliminar criadouros dentro de casa, \u00a0como vasos, garrafas e pneus. Orientar os vizinhos a acabar com dep\u00f3sitos d\u2019\u00e1gua desprotegidos. Usar repelentes e instalar telas protetoras em portas e janelas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/WhatsApp-Image-2017-01-03-at-17.40.07-e1483474081434.jpeg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-999938893\" src=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/WhatsApp-Image-2017-01-03-at-17.40.07-e1483474081434.jpeg\" alt=\"whatsapp-image-2017-01-03-at-17-40-07\" width=\"600\" height=\"336\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Reportagem original:\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/aedes-aegypti-sempre-ele\/\">http:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/aedes-aegypti-sempre-ele\/<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Norte e no Centro-Oeste, dep\u00f3sitos de lixo s\u00e3o os locais onde as f\u00eameas do mosquito Aedes aegypti\u00a0mais depositam seus ovos. 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