{"id":999955538,"date":"2018-03-22T19:40:33","date_gmt":"2018-03-22T19:40:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/?p=999955538"},"modified":"2018-04-11T19:26:18","modified_gmt":"2018-04-11T19:26:18","slug":"dr-joaquim-da-silva-pereira-50-anos-de-medicina-muitos-deles-dedicados-em-prol-de-sao-gotardo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/dr-joaquim-da-silva-pereira-50-anos-de-medicina-muitos-deles-dedicados-em-prol-de-sao-gotardo\/","title":{"rendered":"Dr. Joaquim da Silva Pereira, 50 anos de medicina, muitos deles, dedicados em prol de S\u00e3o Gotardo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Dr. Joaquim da Silva Pereira nasceu em um distrito da zona rural do munic\u00edpio de Prata, no pontal do Tri\u00e2ngulo mineiro, no ano de 1939. Ainda crian\u00e7a o filho de fam\u00edlia humilde viu despertar o gosto pela leitura e conhecimento. As limita\u00e7\u00f5es impostas pela precariedade financeira e o isolamento n\u00e3o o impediram de tra\u00e7ar, pelas pr\u00f3prias m\u00e3os, a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho, de um dia ser doutor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, no alto de seus 79 anos de idade, mant\u00e9m a mesma lucidez de um jovem de 20 anos. De seu ba\u00fa da mem\u00f3ria relembrou, como se hoje fosse, cenas e cap\u00edtulos que marcaram de maneira definitiva a sua hist\u00f3ria de vida, e principalmente dos 50 anos de carreira com m\u00e9dico, completados no final do ano passado. Profissionalmente atuou e ainda atua como anestesista, cl\u00ednica geral, obstetra. \u00c9 casado com Elaine. O casal tem tr\u00eas filhas: Rita de C\u00e1ssia, Alessandra e Daniella.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dr. Joaquim \u00e9 o profissional mais longevo em atividade aqui na cidade de S\u00e3o Gotardo. Mais que testemunha ocular inscreveu seu nome como personagem decisivo no processo de evolu\u00e7\u00e3o o sistema de atendimento da sa\u00fade do munic\u00edpio. Em reportagem especial ao jornalista Jos\u00e9 Eug\u00eanio, do Jornal Daqui, jornal impresso de S\u00e3o Gotardo, o m\u00e9dico contou e relembrou os melhores momentos de sua carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em forma de respeito e homenagem, o Portal SG AGORA tr\u00e1s a entrevista publicada na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Jornal Daqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>(CONTINUA AP\u00d3S A PUBLICIDADE)<\/strong><\/span><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-999955543\" src=\"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Novo-Gf-Uninter-segundo-semestre.gif\" alt=\"Novo Gf Uninter segundo semestre\" width=\"600\" height=\"260\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Confira a entrevista completa cedida ao Jorna Daqui:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As condi\u00e7\u00f5es do meio onde nasceu n\u00e3o eram muito favor\u00e1veis. Como foram aqueles primeiros anos l\u00e1 no sert\u00e3o do Tri\u00e2ngulo Mineiro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro contato com a escola s\u00f3 se deu quando j\u00e1 tinha 10 anos. At\u00e9 ent\u00e3o, meu \u00fanico contato com o estudo se dava em casa. Minha m\u00e3e tinha muita paci\u00eancia quando insistia pra eu decifrar as palavras escritas no \u00fanico livro de manuscrito que tinha em casa. Toda a minha fam\u00edlia era de analfabetos. Em raras exce\u00e7\u00f5es um ou outro chegava ao 3\u00ba ano prim\u00e1rio. Aos 10 anos tive o primeiro contato com a escola. Como j\u00e1 sabia ler, ingressei no 2\u00ba ano de grupo. Pra cobrir minhas despesas trabalhava em servi\u00e7os gerais, uma esp\u00e9cie de office-boy rural. Entrei no gin\u00e1sio gra\u00e7as a uma bolsa de estudos e o apoio de um vereador amigo da fam\u00edlia l\u00e1 da cidade do Prata. Conclu\u00eddos os quatro anos no gin\u00e1sio retornei pra casa de meus pais, e sem perspectivas comecei a trabalhador com a lida na ro\u00e7a. E um belo dia recebi uma proposta do prefeito de uma cidade vizinha pra lecionar em um vilarejo da redondeza, que nem escola tinha. Trataram de construir um rancho, coberto com folha de Bacuri, pra servir de escola. L\u00e1 dei aula por 4 meses, tempo suficiente para me destacar com os resultados obtido. Esta breve experi\u00eancia me abriu novas portas como professor, chegando a le-cionar por mais algum tempo em escolas e fazendas da regi\u00e3o. Acabei arrumando uma namorada por l\u00e1 e por muito pouco n\u00e3o me casei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi a\u00ed que surgiu o desejo de mudar pra cidade grande? Como se deu?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha av\u00f3, preocupada com meu futuro tratou de interceder: pediu a um tio da fam\u00edlia pra me convencer a continuar os estudos, e foi o que eu fiz. Juntei as poucos economias que tinha e tracei um plano de me mudar, com a cara e coragem, pra Belo Horizonte. Peguei o \u00f4nibus em Uberaba, cidade grande que conheci pela primeira vez. Naquele tempo era tudo estrada de terra. No trajeto, seguindo rumo \u00e0 estrada da Serra da Saudade que levava \u00e0 capital mineira, o \u00f4nibus fazia uma breve parada em S\u00e3o Gotardo, onde pisei pela primeira vez &#8211; sem nunca imaginar que muitos anos depois seria a cidade que escolheria pra viver. Naquele tempo(1958) era uma cidadezinha sem qualquer atrativo. Me lembro que quando cheguei na rodovi\u00e1ria &#8211; era ali na pra\u00e7a S\u00e3o Sebasti\u00e3o &#8211; s\u00f3 via cambista e mendigo. Era uma tristeza s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foram os primeiros meses na capital?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegando a Belo Horizonte, s\u00f3 com uma malinha e muita coragem, me hospedei em uma pens\u00e3o indicada por um amigo l\u00e1 da minha cidade. Me matriculei no Col\u00e9gio Anchieta para concluir o ensino m\u00e9dio. Consegui arrumar um emprego em uma grande empresa de Belo Horizonte, a Souza Cruz, e com isso pude manter as despesas. Gra\u00e7as a minha boa caligrafia logo subi de posto, passando de office-boy a escritur\u00e1rio da empresa onde trabalhava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neste in\u00edcio j\u00e1 tinha claro a profiss\u00e3o que queria seguir?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro eu achava que queria ser engenheiro. Na verdade n\u00e3o sabia bem o que eu queria. O gosto pela medicina surgiu com a leitura de um livro escrito por um m\u00e9dico alem\u00e3o. Prestei vestibular na UFMG no ano de 1963. Em 1966 consegui uma vaga pra trabalhar como residente em um hospital. Em 1967 conclui a faculdade e em abril do ano seguinte me casei com minha esposa Elaine. Foi uma fase muito especial na minha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O in\u00edcio da Carreira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de aportar em S\u00e3o Gotardo, Dr. Joaquim trabalhou por um per\u00edodo na regi\u00e3o de sua terra natal, na cidade de S\u00e3o Sim\u00e3o. Levei o companheiro de profiss\u00e3o Dr. Jo\u00e3o Alves, que o acompanhou at\u00e9 o Estado de Goi\u00e1s, onde chegou a trabalhar por um breve per\u00edodo. Contra-tempos encurtaram a nova aventura. Como Dr. Jo\u00e3o tinha parentes aqui em S\u00e3o Gotardo, vieram os dois pra c\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A escolha de S\u00e3o Gotardo como destino profissional foi por acaso, correto?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trouxeram minha mudan\u00e7a num caminh\u00e3o. Vim por acaso. Dr. Jo\u00e3o que tinha vindo primeiro me disse que havia morrido um m\u00e9dico aqui, deixando uma cl\u00ednica toda montada, e que j\u00e1 tinha alugado o espa\u00e7o da vi\u00fava do m\u00e9dico( o m\u00e9dico em quest\u00e3o era Dr. Siqueira, que antes de falecer mantinha uma cl\u00ednica ali no in\u00edcio da av. Rio Branco). Assim que ele me disse o nome da cidade, protestei, pois tinha guardado uma p\u00e9ssima impress\u00e3o, da minha passagem por aqui alguns anos antes. S\u00e3o Gotardo n\u00e3o tinha mais que 10 autom\u00f3veis na \u00e9poca. Em 1971, devido a desentendimentos entre meu colega Dr. Jo\u00e3o e farmac\u00eauticos da cidade, passei a atender na cidade de Pimenta, onde fiquei por 14 meses. Em 1973 retornei a S\u00e3o Gotardo e assumi o comando da cl\u00ednica novamente. Pouco tempo depois surge uma nova oportunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dr. Joaquim assume o desafio de colocar em funcionamento o novo hospital da cidade, a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia. O pr\u00e9dio, rec\u00e9m constru\u00eddo, estava prestes a ser inaugurado. Era o ano de 1974.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fui convidado para assumir o novo centro hospitalar. O chefe de obras era seu pai, o Vicente Moreira. Tivemos que fazer algumas mudan\u00e7as na estrutura f\u00edsica para se adequar \u00e0s necessidades de um Hospital. Eu fui o primeiro m\u00e9dico a atender l\u00e1. Em dezembro de 74, o presidente da Santa Casa era o M\u00e9rio Rodrigues Alves. Ele teve papel fundamental na instala\u00e7\u00e3o dos primeiros equipamentos e na montagem da estrutura de funcionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neste mesmo ano o senhor j\u00e1 come\u00e7ou a trabalhar l\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse in\u00edcio de atividades, a Elce de Melo Borges, j\u00e1 em gesta\u00e7\u00e3o adiantada, manifestou seu desejo de ser a primeira mulher a fazer o parto na Santa Casa. Seu desejo foi atendido e no dia 8 de dezembro de 1974, nasceu sua filha ca\u00e7ula, Luciana. Elaine, minha esposa, cuidou, no in\u00edcio, de suprir os primeiros utens\u00edlios, como panelas, cobertores, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesta fase inicial, de onde vieram os recursos para manuten\u00e7\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o dos equipamentos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu fiquei sabendo que o Hospital Pio XII recebia dinheiro atrav\u00e9s de conv\u00eanio com o Funrural, de Cr$ 2 mil cruzeiros. Fui ent\u00e3o por conta pr\u00f3pria a Belo Hori-zonte na tentativa de firmar um conv\u00eanio nas mesmas condi\u00e7\u00f5es. Expliquei nossa situa\u00e7\u00e3o e fomos prontamente atendidos, e mais, o diretor do org\u00e3o nos presenteou com um Raio X, uma mesa cir\u00fargica, um Autoclave e uma mesa de parto. Foram os primeiros equipamentos da Santa Casa, tudo doado. O presidente M\u00e9rio, muito din\u00e2mico e simp\u00e1tico, n\u00e3o tinha vergonha de pedir. Ele cuidou de conseguir, atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00e3o, camas, mesas, len\u00e7\u00f3is e v\u00e1rias outras coisas para equipar os quartos, escrit\u00f3rios e cozinha. Um belo dia, o M\u00e9rio recebe do Biom\u00e9dico Luiz Roberto Soares uma proposta de instala\u00e7\u00e3o de um laborat\u00f3rio de an\u00e1lises cl\u00ednicas. Evidente que ele aceitou na hora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Paulo Uejo chega a S\u00e3o Gotardo para atender na Santa Casa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de 75, in\u00edcio de 1976, O sr Edson Souza me disse que tinha um genro que estava concluindo resid\u00eancia em cirurgia e ele se interessava em vir pra S\u00e3o Gotardo. Aprovei na hora. Era Paulo Uejo. Ele chegou em setembro de 76. Come\u00e7amos a trabalhar juntos, a partir de ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pouco tempo depois uma sequ\u00eancia de fatos termina por provocar a injusta sa\u00edda de Dr. Joaquim da Santa Casa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O dram\u00e1tico epis\u00f3dio foi mais um daqueles momentos em que a inger\u00eancia de interesses pessoais ignora os reais interesses de uma institui\u00e7\u00e3o assistencial, no caso em quest\u00e3o, a Santa Casa. Dr. Joaquim afirma ter sido v\u00edtima de uma arma\u00e7\u00e3o arquitetada por um grupo que dirigia a Sociedade S\u00e3o Vicente Paula, teve como piv\u00f4 o m\u00e9dico C\u00e9sar mesquita, que havia se desentendido com os m\u00e9dicos do Pio XII, onde at\u00e9 ent\u00e3o trabalhava. A trama \u00e9 relembrada pelo nosso entrevistado:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 27 de setembro de 1980 os cinco membros do conselho diretor da SSVP ( entidade respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o da Santa Casa) me fecharam em uma sala e anunciaram que eu estava &#8220;expulso&#8221; da Santa Casa. Um deles me disse: &#8220;Dr., o senhor n\u00e3o est\u00e1 entendendo, n\u00f3s queremos que o senhor deixe S\u00e3o Gotardo, o povo aqui n\u00e3o te quer mais&#8221;. Eu realmente n\u00e3o entendi, eu acabava de sair da sala de cirurgia onde realizei uma Cesariana em uma cliente do Carmo do Parana\u00edba. Em momento algum recebi qualquer tipo de reclama\u00e7\u00e3o vinda do povo e principalmente de meus pacientes. Na verdade, a dire\u00e7\u00e3o da SSVP estava sendo usada como marionete pelo Dr. C\u00e9sar mesquita, que havia sa\u00eddo do hospital Pio XII devido a desentendimentos com o Dr. Jos\u00e9 Pessoa. Nesta reuni\u00e3o disseram tamb\u00e9m que eu n\u00e3o havia sido apedrejado na rua porque &#8216;conseguimos&#8217; conter a multid\u00e3o. Eu pensei, apedrejado? Eu ando pelas ruas da cidade e o que recebo s\u00e3o cumprimentos calorosos. Do povo de S\u00e3o Gotardo s\u00f3 recebi reconhecimento e o prazer de uma amizade sincera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desconsideraram o fato de o senhor ter tido papel relevante na inaugura\u00e7\u00e3o da Santa Casa, ent\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles me deram um ultimato para que deixasse S\u00e3o Gotardo at\u00e9 o dia 30 de setembro, amea\u00e7ando mandar me prender se eu oferecesse resist\u00eancia. Durante esses tr\u00eas dias a popula\u00e7\u00e3o espontaneamente se mobilizou reunindo mais de oito mil assinaturas em um abaixo-assinado para que eu n\u00e3o sa\u00edsse da Santa Casa, e muito menos, deixasse S\u00e3o Gotardo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O caso ganhou contornos dram\u00e1ticos. Virou caso de pol\u00edcia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 30 o movimento pela minha perman\u00eancia reuniu in\u00fameras pessoas na porta da Santa Casa, alguns, carregando faixas e cartazes. Naquele tempo a pol\u00edcia proibia aglomera\u00e7\u00f5es de pessoas, pois ainda est\u00e1vamos no per\u00edodo da ditadura militar. Na parte da tarde, com aquela movimenta\u00e7\u00e3o toda, eu recebi a visita do Delegado da cidade. Ele colocou a m\u00e3o no meu ombro e me disse: &#8220;Doutor, o senhor tem at\u00e9 as 8h para sair daqui da Santa Casa. Caso contr\u00e1rio terei que prend\u00ea-lo e entregar ao Dops(departamento de repress\u00e3o dos militares) . Perguntei a ele qual acusa\u00e7\u00e3o tinha contra mim. &#8220;Doutor, eu n\u00e3o tenho nenhuma acusa\u00e7\u00e3o contra o senhor, eu apenas recebo ordens&#8221;, ele respondeu. E nesse tempo a manifesta\u00e7\u00e3o foi crescendo e tomou conta de toda a rua em frente a Santa Casa. Com isso, j\u00e1 no final do dia, chegou um grande contingente da Pol\u00edcia Militar, na tentativa de dispersar a multid\u00e3o. Eu contei vinte policiais armados em vota do quarteir\u00e3o. Duas viaturas permaneceram nas imedia\u00e7\u00f5es por dois dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A sa\u00edda da Santa Casa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como eu fui amea\u00e7ado de ser preso, n\u00e3o me restou outra alternativa sen\u00e3o sair. Neste intervalo de tempo o Dr. Jos\u00e9 Pessoa me chamou pra uma conversa e me convidou para trabalhar no Hospital Pio XII. Fiquei muito feliz com convite e aceitei imediatamente. Em dezembro de 1980 montei meu consult\u00f3rio e estou aqui at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A nova casa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui no Pio XII me senti em casa, fui muito bem recebido pela equipe m\u00e9dica que j\u00e1 atuava aqui, o Dr. Gilson, Dr. Jair, Dr. Romes e o pr\u00f3prio Dr. Jos\u00e9 Pessoa que presidia o hospital. Com o passar do tempo, em sinal de reconhecimento fui convidado a fazer parte da diretoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o apenas pelo fato de ter sido acolhido em um momento dif\u00edcil pelo qual eu estava passando, quando fui afastado da Santa Casa, mas por todos esses anos de amizade e respeito, eu tenho uma eterna gratid\u00e3o por esta grande fam\u00edlia que \u00e9 o Hospital Pio XII. O ambiente de trabalho aqui \u00e9 muito saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Reportagem:<\/strong> Jos\u00e9 Eug\u00eanio\/Jornal Daqui \/ <strong>Foto Capa:<\/strong> Jos\u00e9 Eug\u00eanio\/Jornal Daqui \/<strong> Fonte da Reportagem e Apura\u00e7\u00e3o da Reportagem:<\/strong> Jos\u00e9 Eug\u00eanio\/Jornal Daqui\/Dr. Joaquim da Silva Pereira<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dr. Joaquim da Silva Pereira nasceu em um distrito da zona rural do munic\u00edpio de Prata, no pontal do Tri\u00e2ngulo mineiro, no ano de 1939. 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