{"id":999976681,"date":"2019-11-02T12:30:06","date_gmt":"2019-11-02T12:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/do-improviso-a-gloria-como-o-brasil-virou-o-melhor-goalball-do-mundo\/"},"modified":"2019-11-02T12:30:06","modified_gmt":"2019-11-02T12:30:06","slug":"do-improviso-a-gloria-como-o-brasil-virou-o-melhor-goalball-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sgagora.com.br\/sg\/do-improviso-a-gloria-como-o-brasil-virou-o-melhor-goalball-do-mundo\/","title":{"rendered":"Do improviso \u00e0 gl\u00f3ria: como o Brasil virou o &quot;melhor goalball do mundo"},"content":{"rendered":"<div id=\"infocoweb\">\n<div id=\"infocoweb_cabecalho\"><\/div>\n<div id=\"infocoweb_corpo\">\n<p>Entre as modalidades presentes no programa da Paralimp\u00edada, o goalball \u00e9 a \u00fanica que n\u00e3o \u00e9 adaptada. Trata-se de um esporte especificamente para cegos, criado em 1946 para reabilita\u00e7\u00e3o de veteranos da Segunda Guerra Mundial que perderam a vis\u00e3o. A modalidade \u00e9 uma das maiores apostas de medalha de ouro para o Brasil nos Jogos de T\u00f3quio, no ano que vem. A sele\u00e7\u00e3o masculina lidera o ranking mundial e a equipe feminina \u00e9 a atual terceira melhor do mundo.<\/p>\n<p>Segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), o goalball \u00e9 a modalidade para cegos com mais praticantes no pa\u00eds. A estimativa \u00e9 que de 600 a 700 atletas (entre homens e mulheres) sejam filiados e participem de torneios oficiais. A edi\u00e7\u00e3o deste ano da Copa Brasil, como \u00e9 chamado o campeonato nacional, reuniu no Centro de Treinamento Paral\u00edmpico, em S\u00e3o Paulo, 189 jogadores de 33 equipes separados em quatro divis\u00f5es (s\u00e9ries A e B, masculino e feminino).<\/p>\n<p>&#8220;Hoje o goalball brasileiro \u00e9 refer\u00eancia mundial. E o mesmo acontece com o nosso campeonato. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, neste ano, teve at\u00e9 estrangeiro jogando aqui. Portugu\u00eas, argentino&#8221;, afirma Leomon Moreno, atleta do Santos e da sele\u00e7\u00e3o masculina.<\/p>\n<p>Leomon, ali\u00e1s, \u00e9 exemplo da relev\u00e2ncia do Brasil no cen\u00e1rio internacional da modalidade. Quando n\u00e3o est\u00e1 jogando por aqui o brasiliense compete pelo Sporting (Portugal), que o apelidou de &#8220;Cristiano Ronaldo do goalball&#8221;. Al\u00e9m dele outros brasileiros t\u00eam sido chamados para disputar torneios pelo clube portugu\u00eas, como Rom\u00e1rio Marques (parceiro de Leomon no Santos), Ana Carolina Duarte (Santos) e Ana Gabriely Brito (Sesi).<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=151754:cheio_8colunas -->       <\/p>\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\">         <img decoding=\"async\" class=\"img-responsive full full\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Xf4dzIpoYD6LTq0mSplWwlzza7k=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/48881784038_8a08ec4be4_o.jpg?itok=YIMlISZR\" alt=\"11.10.19 - CT Paral\u00edmpico, S\u00e3o Paulo - Campeonato Brasileiro de Goalball Loterias Caixa 2019 - Santos X URECE. Foto: Ale Cabral\/CPB\" title=\"ALE CABRAL\/CPB\" \/>                <\/figure>\n<p>     <!-- END scald=151754 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\"><!--copyright=151754-->Leomon Moreno (direita) \u00e9 um dos principais nomes do goalball brasileiro &#8211; <strong>ALE CABRAL\/CPB<\/strong><!--END copyright=151754--><\/div><\/div>\n<\/div>\n<h2>Usando a criatividade<\/h2>\n<p>Um jogo \u00e9 disputado em uma quadra com 9 metros de largura e 18 metros de comprimento, com uma bola espec\u00edfica (pesando 1,25 kg e com guizos no interior). A bola \u00e9 arremessada a uma meta com 9 metros de largura por 1,3 metro de altura. Pouco mais de 30 anos atr\u00e1s, quando tudo come\u00e7ou por aqui, o cen\u00e1rio era completamente diferente.<\/p>\n<p>O goalball chegou ao Brasil em 1985 ap\u00f3s o professor Steven Dubner, que trabalhava no Centro de Apoio aos Deficientes Visuais (Cadevi), em S\u00e3o Paulo, conhecer a modalidade nos Estados Unidos. No mesmo ano foi disputado o primeiro amistoso no pa\u00eds, entre Cadevi e Adevipar (Associa\u00e7\u00e3o dos Deficientes Visuais do Paran\u00e1), no gin\u00e1sio da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR).<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o conhec\u00edamos muito as regras, ent\u00e3o fizemos [os gols] com dois bancos suecos deitados&#8221;, diz M\u00e1rio S\u00e9rgio Fontes, atual coordenador de eventos da CBDV, e que em 1987 supervisionou o primeiro campeonato nacional de goalball, disputado em Uberl\u00e2ndia (MG).<\/p>\n<p>Hoje presidente da CBDV e ex-coordenador do futebol de 5 brasileiro, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Freire foi jogador de goalball nos anos 90. Segundo ele, a dificuldade de acesso a equipamentos oficiais obrigava os praticantes a usarem a criatividade.<\/p>\n<p>&#8220;Jog\u00e1vamos em Jo\u00e3o Pessoa [PB] com uma bola de futebol de campo com guizos improvisados. A bola [oficial] era muito cara. S\u00f3 tinha na Alemanha, ent\u00e3o as equipes daqui tinham dificuldade&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes, colocava-se um saco pl\u00e1stico por cima de uma bola normal para simular o barulho [do guizo]. Cheguei a ver isso em aquecimento de jogo&#8221;, recorda Diego Colletes, t\u00e9cnico das equipes masculina e feminina do Sesi e que trabalha com a modalidade h\u00e1 mais de 20 anos.<\/p>\n<p>Se com a bola at\u00e9 era poss\u00edvel dar um jeito de compensar as limita\u00e7\u00f5es financeiras, com outros equipamentos n\u00e3o era t\u00e3o simples. Como o goalball re\u00fane atletas com diferentes n\u00edveis de defici\u00eancia visual, todos usam \u00f3culos de prote\u00e7\u00e3o. A Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Esportes para Cegos (IBSA) tornou o uso do equipamento obrigat\u00f3rio, para garantir que todos os atletas disputem a partida em igualdade de condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Os \u00f3culos mais baratinhos aqui no Brasil custam em torno de R$ 300. Eu n\u00e3o tinha um real para comer, imagina para comprar \u00f3culos assim? Eu n\u00e3o tinha t\u00eanis apropriado para jogar, ent\u00e3o jogava descal\u00e7o. N\u00e3o tinha a roupa, a\u00ed jogava de regata. N\u00e3o tinha joelheira, cotoveleira&#8221;, afirma Josemarcio Sousa, o Parazinho, autor de sete gols na vit\u00f3ria de 10 a 4 do Sesi sobre o Santos na final da S\u00e9rie A masculina da Copa Brasil.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=151756:cheio_8colunas -->       <\/p>\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\">         <img decoding=\"async\" class=\"img-responsive full full\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/gThAlda5d-Hg7GC_pGzK_voQoGA=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/48891626663_00e154b558_k.jpg?itok=5jrJAj2a\" alt=\"Goalball\" title=\"ALE CABRAL\/CPB\" \/>                <\/figure>\n<p>     <!-- END scald=151756 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\"><!--copyright=151756-->O Goalball \u00e9 a \u00fanica modalidae paral\u00edmpica n\u00e3o adaptada &#8211; <strong>ALE CABRAL\/CPB<\/strong><!--END copyright=151756--><\/div><\/div>\n<\/div>\n<h2>Subindo o sarrafo<\/h2>\n<p>&#8220;Conheci o goalball em 2004, trabalhando no Lar das Mo\u00e7as Cegas, em Santos (SP). Acabei fazendo meu trabalho de conclus\u00e3o de curso (TCC) sobre goalball. E n\u00e3o foi nada f\u00e1cil. Voc\u00ea pesquisava na faculdade, visitava biblioteca e n\u00e3o achava quase nada. At\u00e9 tinha alguma coisa no Google, mas pouco. Hoje est\u00e1 bem diferente&#8221;, diz Jos\u00e9 Mauro Neri, t\u00e9cnico do Santos.<\/p>\n<p>Foi exatamente em 2004 que a modalidade deu o primeiro salto no pa\u00eds, com a classifica\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de uma sele\u00e7\u00e3o, a feminina, para a Paralimp\u00edada de Atenas, na Gr\u00e9cia. De l\u00e1 para c\u00e1 foram tr\u00eas p\u00f3dios em Mundiais (terceiro lugar entre as mulheres em 2018, e dois t\u00edtulos entre os homens, em 2014 e em 2018) e duas medalhas paral\u00edmpicas no masculino: prata em Londres 2012, no Reino Unido, e bronze na Rio 2016. Nos Jogos Parapan-Americanos, desde Guadalajara 2011, no M\u00e9xico, o dom\u00ednio brasileiro \u00e9 ainda maior: seis medalhas, sendo cinco douradas.<\/p>\n<p>Este salto coincide com a institui\u00e7\u00e3o da Lei Piva (10.264), de 16 de julho de 2001, que previa a destina\u00e7\u00e3o de 2% (2,7% a partir de 6 de julho de 2015) da arrecada\u00e7\u00e3o bruta das loterias federais em opera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds (descontadas as premia\u00e7\u00f5es) aos Comit\u00eas Ol\u00edmpico do Brasil (COB) e Paral\u00edmpico Brasileiro (CPB). A entidade ligada ao paradesporto, que inicialmente tinha direito a 15% do valor repassado, teve a fatia aumentada para 37,04% h\u00e1 quatro anos. O CPB direciona esse investimento \u00e0s modalidades, seja as que est\u00e3o sob sua gest\u00e3o (nata\u00e7\u00e3o e atletismo, por exemplo), seja as administradas por outras confedera\u00e7\u00f5es, como o goalball.<\/p>\n<p>&#8220;A inclus\u00e3o do paradesporto como um todo na Lei Piva trouxe uma mudan\u00e7a significativa. Hoje podemos dizer que o Brasil tem recursos para dar apoio \u00e0s sele\u00e7\u00f5es nacionais de alto padr\u00e3o e realizar treinamentos&#8221;, analisa M\u00e1rio S\u00e9rgio Fontes, da CBDV.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 como pensar em trabalho de alto n\u00edvel, de alta qualidade, sem recursos financeiros para mant\u00ea-lo. E hoje, no pa\u00eds, os pr\u00f3prios atletas, n\u00e3o digo 100%, mas boa parte deles, que est\u00e3o em n\u00edvel de competi\u00e7\u00e3o, recebem apoio financeiro de alguma forma, por lei de incentivo ou patrocinadores pr\u00f3prios&#8221;, completa.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=151757:cheio_8colunas -->       <\/p>\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\">         <img decoding=\"async\" class=\"img-responsive full full\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/8mwo3r_Cry-4WOOnyZlCNNUKNZ4=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/48892333802_cd05939615_k.jpg?itok=Mt3swLog\" alt=\"Goalball\" title=\"ALE CABRAL\/CPB\" \/>                <\/figure>\n<p>     <!-- END scald=151757 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\"><!--copyright=151757-->Copa Brasil reuniu 189 jogadores no Centro de Treinamento Paral\u00edmpico\u00a0 &#8211; <strong>ALE CABRAL\/CPB<\/strong><!--END copyright=151757--><\/div><\/div>\n<\/div>\n<p>Para Diego Colletes, do Sesi, o cen\u00e1rio que se desenhou para o goalball brasileiro no s\u00e9culo XXI aumentou a exig\u00eancia do alto-rendimento.<\/p>\n<p>&#8220;L\u00e1 atr\u00e1s o perfil dos jogadores n\u00e3o era verdadeiramente de atleta. Voc\u00ea via equipes que se juntavam para organizar uma a\u00e7\u00e3o fora da realidade do alto-rendimento. Mas os anos se passaram e os atletas foram entendendo a import\u00e2ncia do dia a dia de treino para almejarem resultados&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 alguns anos atr\u00e1s o goalball era simples. Voc\u00ea via uma equipe e sabia que ela seria campe\u00e3. Hoje os jogos s\u00e3o disputad\u00edssimos. A Copa Brasil deste ano foi surpreendente. Equipes das quais n\u00e3o se esperava tanto antes chegaram com \u00f3timos resultados&#8221;, acrescenta Victoria Amorim, jogadora do Sesi e da sele\u00e7\u00e3o feminina. Ela foi campe\u00e3 da Copa Brasil em decis\u00e3o in\u00e9dita e apertada, por 2 a 0, contra o Instituto de Educa\u00e7\u00e3o e Reabilita\u00e7\u00e3o de Cegos do Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o significa que o papel social do paradesporto tenha necessariamente ficado em segundo plano. Adilson Benedito, de 45 anos e que hoje defende o Instituto Athlon, de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), sofreu um acidente em uma oficina mec\u00e2nica que o fez perder a vis\u00e3o. Os gols que marcou ao perceber que s\u00f3 teria sucesso nas quadras de goalball se levasse a pr\u00e1tica a s\u00e9rio foram al\u00e9m daqueles em que a bola toca a rede.<\/p>\n<p>&#8220;Eu praticava o esporte, mas ainda tinha v\u00edcio em bebida, cigarro e drogas. Isso me atrapalhou muito. Mas acreditei no trabalho. Larguei tudo que era ruim na minha vida. Confiei no projeto e hoje estou colhendo os frutos&#8221;, encerra Adilson, um dos destaques do Athlon na conquista do terceiro lugar na Copa Brasil.<\/p>\n<p>Assista no <a href=\"http:\/\/tvbrasil.ebc.com.br\/stadium\">Stadium<\/a>:<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"edicao\">                         Edi\u00e7\u00e3o: <span class=\"txtEsportes\">  F\u00e1bio Lisboa<\/span>           <\/div>\n<div class=\"tags\">             Tags: <span class=\"txtEsportes\">  <a href=\"\/tags\/esportes\">esportes<\/a>  <a href=\"\/tags\/toquio-2020\">T\u00f3quio 2020<\/a>  <a href=\"\/tags\/goalball\">goalball<\/a>  <a href=\"\/tags\/paralimpico-0\">paral\u00edmpico<\/a><\/span>           <\/div>\n<div class=\"row\">                    <\/div>\n<\/div>\n<div id=\"infocoweb_rodape\">Fonte: <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/esportes\/noticia\/2019-11\/do-improviso-gloria-como-o-brasil-virou-o-melhor-goalball-do-mundo\">EBC Esportes<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre as modalidades presentes no programa da Paralimp\u00edada, o goalball \u00e9 a \u00fanica que n\u00e3o \u00e9 adaptada. 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