Evolução da demanda ditará preços das carnes no último trimestre do ano

Tradicionalmente os meses de outubro, novembro e dezembro são marcados pelo incremento no consumo das carnes no mercado interno. O pagamento dos décimos terceiros salários, férias e período festivo, costumam favorecer as vendas do varejo e impulsionar as cotações das matérias primas.

Mas, e em anos de descapitalização da população [especialmente quando é decorrente de pelo menos dois anos de problemas econômicos em um país], podemos esperar o mesmo?.

Para o pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) Thiago Bernardino de Carvalho, na carne bovina devemos ver uma mudança de corte – optando por dianteiro em detrimento do traseiro – e um recuo em relação ao volume consumido em anos anteriores.

“Provavelmente a população vai comer menos traseiro e aumentar a procura por dianteiro e carne de frango [que é mais barato], mas por uma questão cultural o brasileiro não deixa de consumir a carne vermelha”, ressalta Carvalho.

Nas demais proteínas a expectativa é a mesma, de retração no consumo em relação a iguais períodos de anos anteriores, mas elevação se comparado ao andamento da demanda em 2016, fator que se torna positivo para mercado de boi gordo, frango e suíno vivo.
E como o ajuste produtivo ocorrido nas granjas não deve se desfazer em curto prazo, já que a pressão de custos deve permanecer sobre estas cadeias. Assim como na pecuária que tem uma perspectiva de redução de 20% no volume de animais confinados no segundo giro, de acordo com dados da Assocon (Associação Nacional dos Confinadores), a tendência é de elevação nos preços das matérias primas por pressão também da oferta.

Contudo, a relação de preços das carnes pode acabar favorecendo o consumo de um tipo no período. Com uma concorrência mais acirrada entre as proteínas animais, “ao menos uma parte do consumo pode se deslocar de volta para a carne bovina, contando com uma ajuda da maior demanda sazonal no segundo semestre”, considera o analista da Scot Consultoria, Gustavo Aguiar, caso a relação seja favorável à carne vermelha.

Parte do reflexo disso já foi observado no andamento das vendas internas de carne de frango em agosto e setembro, que ficaram abaixo das expectativas do setor, frustrando uma possível reação do animal vivo no período.

O levantamento da Scot aponta que atualmente, a relação de troca entre a proteína bovina e a de frango está em 2,1, ou seja, com o preço de um quilo de boi casado no atacado, é possível adquirir 2,1 quilos de carcaça de frango. Em agosto esta relação era de 1,9.

Atualmente a cotação do boi casado de animais castrados no atacado está em R$ 10,18/kg, resultando em uma alta de 16,4% desde o início do mês. Enquanto que a carcaça de frango somente em setembro subiu 6,6%, cotada a R$ 4,52/kg, no atacado paulista.

Contudo, os analistas afirmam ser importante acompanhar a capacidade de absorção desses novos patamares na ponta final da cadeia. O varejo não tem conseguido acompanhar o ritmo de alta imposta no atacado nas últimas semanas, situação inversa a observado em agosto para o setor de carne bovina, por exemplo.

A margem dos açougues e supermercados paulistas saiu de 59,5% para 54,0% na última semana, apontou pesquisa da Scot Consultoria.

Com cenário um pouco diferente, a carne suína é a que apresenta o pior desempenho de preço e consumo nos últimos meses, já que o “incremento da no final do ano é menor e ela também está menos presente na mesa do brasileiro”, ressalta o pesquisador Carvalho.

Atualmente é possível comprar 1,7 quilos de carne suína com um quilo de carne bovina (boi casado) no atacado em São Paulo. Este valor é 28,0% maior quando comparado ao mês anterior, resultado das recentes altas para a carne bovina (16,4%) e queda para a carne suína (9,1%).

A pesquisadora do Cepea, Camila Ortelan, explica que o fator que tem dado sustentação ao setor suíno é o bom desempenho das exportações. “Temos um consumo interno bastante fraco, mas as vendas externas têm ajudado no escoamento da produção”, acrescenta.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgados nesta segunda-feira (26) apontam que até a quarta semana de setembro – totalizando 16 dias úteis –, as exportações chegam a 46,9 mil toneladas. Com média diária de 2,9 mil toneladas, há um crescimento de 17,1% na comparação com o volume por dia em agosto, enquanto que em relação a setembro do ano passado o acréscimo é de 36,2%. Em receita, os dados apontam para US$ 110,4 milhões, com valor por tonelada em US$ 2.354,6.

A preocupação agora é com o andamento da demanda interna, já que as previsões continuam indicando restrição de oferta. Mas, como ressalta Thiago Carvalho “tudo irá depender do consumo, se tivermos baixa oferta e um ligeiro incremento da demanda será positivo para as matérias primas, mas de nada vai adiantar a baixa disponibilidade de animais se a demanda for mais fraca ainda”, conclui.

Custo de produção
Muito embora os preços das carnes, especialmente a de frango, vem atingido recordes nominais neste ano, as altas não tem sido suficiente para impulsionar as cotações da matéria prima e consequentemente cobrir os custos de produção, principalmente dos criadores de aves e suínos independentes.

Assim, a relação de cotação do frango vivo e o abatido, por exemplo, tem apresentado perspectivas opostas. No penúltimo trimestre do ano o ganho no frango abatido foi de 21%, enquanto no vivo a valorização no período foi de 10%. A explicação desse cenário é que com a presente crise de consumo, as integrações recorrerão bem menos ao mercado independente. Com isso, os preços da ave viva devem evoluir de forma bem mais moderada.

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Já os suinocultores do Rio Grande do Sul atualmente gastam de R$ 3,80 a R$ 3,85 por quilo de animal produzido, ao passo que o valor de comercialização desta semana foi fixado em R$ 3,92/kg, posto indústria.

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Mesmo com a recente queda nos preços do milho [sendo cotado a R$ 41,00 a saca], o presidente da ACSURS (Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul), Valdecir Folador, lembra que os suínos comercializados agora, são frutos de alimentações onde o cereal chegou a custar R$ 60,00 a saca no estado. Assim, “o alívio do custo só terá reflexo nos animais que serão abatidos no final do ano/início de 2017.”

Em outros estados produtores de aves e suínos o cenário não é diferente. “Muitos estão deixando a atividade por não enxergarem um horizonte promissor. Isso preocupa muito o setor, principalmente em Santa Catarina, que é o maior produtor e exportador da proteína. Temos dificuldades em formar sucessores na atividade por conta dessa instabilidade financeira e a falta de políticas públicas para o meio rural”, declarou em nota o presidente da ACCS (Associação Catarinense de Criadores de Suínos), Losivânio de Lorenzi.

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Reportagem e Fotos: http://www.cnabrasil.org.br/noticias/evolucao-da-demanda-ditara-precos-das-carnes-no-ultimo-trimestre-do-ano

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